hélio oiticica
relevo espacial v10, 1960 / 2000
acrílica sobre madeira
99 x 235 x 10 cm
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Artista mais influente da segunda metade do século XX no panorama artístico brasileiro, Hélio Oiticica (1937 - 1980) iniciou sua carreira como pintor, derivando progressivamente para uma obra mais efêmera, dinâmica e performática, que culminou na criação de instalações de grandes dimensões. Sua intensa produção artística foi constantemente acompanhada por uma reflexão prolífica e extremamente aguda sobre os caminhos da arte contemporânea.

 
Aluno de Ivan Serpa, participou ativamente da aventura concreta como membro do Grupo Frente (1955-56), mas, a partir do final da década, com a filiação ao Grupo Neoconcreto (1959), sentiu a necessidade de libertar-se da bidimensionalidade, passando a criar obras mais radicalmente sensoriais e interativas. Nascem assim as séries Relevos e Núcleos espaciais, primeiros momentos de uma pesquisa sobre a cor e o espaço que resultaria na criação dos Bólides e principalmente dos Penetráveis, instalações de grandes dimensões que o levariam a ser convidado para expor na Whitechapel Art Gallery, em Londres (na célebre exposição intitulada Éden, realizada em 1969). 

Polêmico e irreverente, defendeu sempre a riqueza poética e ética de formas de vida marginalizadas (“Seja marginal, seja herói”), o que se traduziu em obras pulsantes, como os Parangolés, provavelmente o exemplo mais direto e conciso da aspiração do artista à fusão de arte e vida. Guy Brett observa que Oiticica se inseria no grupo de artistas que “metaforizava uma experiência diferente de estar neste mundo, sozinho ou na companhia de outros, como um núcleo construtivo de prazer sensorial, contemplação e criatividade, propondo uma espécie de lugar mítico para sentimentos, para a ação, para criar coisas e construir seu próprio cosmos interior.” 

 

Carioca nascido em 1937, seu vocabulário tornou-se rapidamente geométrico, e o artista juntou-se ao Grupo Frente (1954-56) e, posteriormente, ao movimento Neoconcreto (1959-61). De 1964 a 1969 fez obras lúdicas, entre elas Parangolé (1964), Tropicália (1967) e Apocalipopótesis (1968), tanto em instituições artísticas quanto nas ruas. Foi uma das principais atrações na exposição Nova objetividade brasileira (Rio de Janeiro, 1967), efervescendo a vanguarda nacional. Após uma associação com o Guggenheim Museum, mudou-se para Nova York, onde viveu até 1978. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1980. Em 2007, foi homenageado internacionalmente com a grande retrospectiva The Body of Color no Museum of Fine Arts Houston, com curadoria de Mari Carmen Ramirez, e na Tate Modern, em Londres (2008).

Exposições

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