León Ferrari  A civilização ocidental cristã, 1965  Plástico, óleo e gesso  200 x 120 x 60 cm
León Ferrari  Torradeira, 2000  Torradeira elétrica com cristos de plástico  29 x 35 x 10 cm
León Ferrari  Homem, 1962  Escultura aço inox  70 x 35 x 35 cm.
León Ferrari  Sem titulo, 1984  Escultura em aço inox  61 x 30 x 29 cm
León Ferrari  Torre de Babel , 1964  Escultura de aço inox, bronze e cobre  200 x 80 cm
León Ferrari  Gagarin, c. 1961  Escultura em aço inox  Ø=52 cm
León Ferrari  Kama sutra I, 1979  31 x 21, 5 cm
León Ferrari  Carta a um general, 1963  Nanquim sobre papel  48 x 31 cm
León Ferrari  Quadro escrito , 1964  Nanquim sobre papel  66 x 48 cm
León Ferrari  A árvore inseminadora, 1964  Colagem e Nanquim sobre papel  42 x 32 cm
León Ferrari  União Livre, 2004  Texto em, braile sobre fotografia de Tatiano Maiore  18 x 24 cm
León Ferrari  Manequin transparente, 1994  Técnica mista  65 x 36 x 8 cm
León Ferrari  A Virgem e o Menino, 1994  Colagem sobre manequim  66 x 40 x 14 cm
León Ferrari  Sem título, 1988.  Colagem  34 x 50 cm
León Ferrari  Página do livro Parahereges, 1986  Colagens  31 x 20,6 cm  São Paulo, Editora Expressao, 1986.
León Ferrari  Juízo Final, 1985  Colagem de excrementos de aves sobre graura do Juízo Final de Michelangelo  46 x 33 cm
León Ferrari  Planta, 1980  Nanquim e letraset sobre película plástica  93.3 x 95.6 cm.  Original com cópia heliográfica.
León Ferrari
A civilização ocidental cristã, 1965
Plástico, óleo e gesso
200 x 120 x 60 cm

León Ferrari é um dos artistas latino-americanos mais consagrados mundialmente, aclamado na Bienal de Veneza de 2007, na qual recebeu o prêmio Leone D'Oro em reconhecimento por sua obra que, até o fim da vida, o motivou a contestar o mundo em que vivemos.   

 

Em sua prática artística, faz uso de distintas linguagens como a escultura, o desenho, a caligrafia, a colagem, a assemblage, a instalação e o vídeo. Este conjunto heterogêneo de práticas integra temas que revelam tanto seu caráter de pesquisador e ativista como a investigação estética da linguagem, o questionamento do mundo Ocidental, o poder e a normatização que ditam os valores da Religião, da Arte, da Justiça e do Estado, a reverência à mulher e ao erotismo e a representação da violência. A repetição, a ironia e a literalidade também são recursos de sua poética, reconhecidos desde suas obras iniciais.

 

Na década de 1960, os desenhos e as esculturas de Ferrari são permeados, em especial, pelo questionamento ético da religião e a denúncia contra o Imperialismo. Em 1976, um golpe militar forçou o artista e sua família a deixar Buenos Aires, mudando-se para São Paulo, onde permaneceram até a década de 1990. Durante sua permanência no Brasil, Ferrari integrou-se ao circuito de experimentalismos local, envolvendo-se com o processo de revitalização da linguagem através da produção de heliografias, fotocópias, instrumentos musicais, concertos e arte postal. Ao retornar à Argentina, o artista continuou a produzir obras de arte politicamente engajadas, questionando os desaparecimentos que aconteceram durante a Ditadura Militar.

 

León Ferrari nasceu em 1920 na Argentina, onde viveu até seu falecimento, em 2013. Seus trabalhos foram exibidos em grandes exposições internacionais, como: The Words of Others: León Ferrari and Rhetoric in Times of War, Pérez Art Museum Miami (PAMM), Miami, EUA, 2018, e Roy and Edna Disney/CalArts Theater (REDCAT), Los Angeles, EUA, 2017-18; La donación Ferrari, Museo de Arte Moderno de Buenos Aires (MAMBA), Buenos Aires, Argentina, 2014; León Ferrari - Brailles y Relecturas de la Biblia, Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (MALBA), Buenos Aires, Argentina, 2012; Tangled Alphabets: León Ferrari and Mira Schendel, The Museum of Modern Art (MoMA), Nova York, EUA, 2009; León Ferrari: Poéticas e Políticas, Pinacoteca do Estado do São Paulo, Brasil, 2006; León Ferrari: retrospectiva. Obras 1954-2004, Centro Cultural Recoleta (CCR), Buenos Aires, Argentina, 2004; e Politiscripts, The Drawing Center (TDC), Nova York, EUA, 2004. Participou de Think with the Senses, Feel with the Mind: Art in the Present Tense na 52ª Bienal de Veneza (Pavilhão da Itália e Arsenal), em 2007, recebendo o prêmio Leone D'Oro. Suas obras estão presentes em importantes coleções institucionais, como: Pérez Art Museum (PAMM), Miami, EUA; Art Institute of Chicago (AIC), EUA; Centro de Arte Contemporáneo Wifredo Lam, La Habana, Cuba; Daros Latinamerica Collection, Zürich, Suíça; Fondo Nacional de las Artes, Buenos Aires, Argentina; Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (MALBA), Argentina; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), Brasil; Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), Brasil; Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil; The Museum of Fine Arts (MFAH), Houston, EUA; The Museum of Modern Art (MoMA), Nova York, EUA; Tate Modern, Londres, RU; entre outros.

Texto Crítico

  • do conceito de verdade em León Ferrari

    lisette lagnado
    Em 2009, o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) organizou a exposição “Tangled Alphabets: León Ferrari and Mira Schendel” (sob a curadoria de Luiz Pérez-Oramas) que itinerou para o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (Madri, Espanha) e a Fundação Iberê Camargo (Porto Alegre, Brasil), reunindo um amplo conjunto de obras dos dois artistas. A exposição do MoMA procurou dar ênfase às formas de inserir a linguagem verbal no campo da visualidade. Quase dez anos depois, a cidade de Nova York recebe um recorte preciso da produção de León Ferrari, dessa vez na Galeria Nara Roesler, responsável pela representação do espólio do artista argentino, cujo nome está inscrito na vanguarda artística do experimentalismo e conceitualismo latino-americano. Trata-se agora de olhar apenas vinte colagens e indagar: para que servem esses alfabetos? E o que dizem as imagens com as quais estão associadas? Entre fragmentos poéticos e sentenças divinas, a curadoria levanta hipóteses acerca do “alfa e ómega” (princípio e fim) de León Ferrari (Buenos Aires, 1920-2013),...