Sheila Hicks
Prayer Rug, c. 1970s

155 x 205 x 12 cm

Press Release

Com curadoria de Luis Pérez-Oramas, a primeira mostra individual da artista estadunidense Sheila Hicks no Brasil apresenta um recorte de sua produção recente e obras históricas, produzidas entre 1970 e 2019. A mostra marca o início da representação da artista pela galeria e oferece ao público brasileiro a oportunidade de entrar em contato com uma das principais criadoras contemporâneas da linguagem têxtil.

 

Desde o final da década de 1950, Hicks desenvolve uma pesquisa que concilia seus estudos iniciais em pintura com técnicas tradicionais de produção têxtil originárias de diferentes culturas ao redor do mundo, como Chile, México, Marrocos e Índia. Para Pérez-Oramas, esse encontro se dá pela possibilidade que existe, na linguagem têxtil, da artista “ver, enquanto suas mãos se movem no fazer, as diferentes cores ‘entrarem e saírem’, estando, ao mesmo tempo, ‘dentro e fora’, justapostas, emaranhadas; cada uma integrada na matéria que as constitui, sem se confundir, colocando-se para além da mistura e da pincelada”, nas palavras do curador.

 

O trabalho de Hicks apresenta uma riqueza de referências capaz de fortalecer os laços entre as esferas da arte, da arquitetura e do artesanato, a partir da investigação das texturas, cores e do comportamento espacial dos materiais e técnicas têxteis utilizadas pela artista. Em entrevista concedida à escritora, acadêmica e antropóloga Monique Lévi-Strauss, a artista explica que, ao pensar na relação entre a tecelagem e a arquitetura, ela observou como os dois campos “eram interrelacionados, complementares e dependentes do conhecimento de materiais, elementos de construção, visualização, escala, textura e cor”. Segundo ela, “a arquitetura abriga as pessoas e essas são vestidas e enfeitadas com fibras e tecidos. São volumes escultóricos móveis dentro de espaços definidos”.

 

Seu interesse pela produção têxtil da civilização Inca a conduziu às primeiras incursões nessa linguagem. Durante seus anos de formação na Yale University, seu interesse pela produção têxtil daquela civilização foi notado por Josef Albers, um dos mais importantes pintores da escola vanguardista alemã Bauhaus e de sua geração, que a levou para conhecer sua esposa Anni, uma mestre da tecelagem. Dessa aproximação surgiram suas primeiras incursões nessa linguagem.

 

O interesse por diferentes procedimentos de tecelagem fez de Hicks uma artista que frequentemente se deslocava pelo mundo. Ela viajou da América à África, da Europa à Ásia. Desde 1964, Hicks reside em Paris, mas foi antes disso, na América Latina, que se deu grande parte de sua formação. Nos primeiros anos de sua carreira, ela morou no Chile, na Venezuela e no México, lugares, assim como tantos outros por onde passou, em que ela aprendeu procedimentos com a comunidade local, integrando-os aos seus trabalhos.

 

A Galeria Nara Roesler traz para o Brasil, pela primeira vez, trabalhos em pequenas e grandes dimensões — essa flexibilidade entre formatos é, inclusive, outra característica marcante da prática de Sheila. As intrincadas e delicadas composições de material têxtil da série Minimes, em desenvolvimento desde o início de sua carreira, são capazes de despertar tanta admiração quanto os trabalhos em grande formato, como Prayer Rug, que também integram a mostra. O visitante encontrará, ainda, trabalhos em papel nepal, nos quais Hicks desenha padrões utilizando linhas de tecido, agregando mais um elemento ao seu vocabulário têxtil.

 

Para completar, a exposição inclui também trabalhos experimentais de cunho tridimensional, como Cords Sauvages e Menhir (colunas que se desprendem do alto pela junção de fios coloridos), assim como tapeçarias de feitura mais tradicional, com motivos geométricos. Em abril, será lançada, ainda, uma publicação inédita em português e inglês com imagens e textos sobre a produção de Sheila Hicks.

 

publicação

 

No início de maio está previsto o lançamento, também pela Galeria Nara Roesler, de uma publicação inédita nas versões em português e inglês que inclui texto crítico de Luis Pérez-Oramas e entrevista de Monique Lévi-Strauss com Sheila Hicks, além de imagens das obras e vistas da exposição.