Biografia

A pesquisa de André Griffo é voltada para a pintura e suas relações históricas com a representação da arquitetura. Longe dos grandes discursos panfletários, o artista nos convida a dar atenção aos mínimos detalhes de suas imagens que refletem as muitas violências que dão corpo às narrativas relativas às histórias do Brasil e suas ruínas. Nesse sentido, suas telas são complexos arquivos visuais onde coexistem os mais diversos elementos, cujas relações são capazes de ressignificar e aprofundar as críticas ali presentes. O trabalho de Griffo volta-se para a crítica das estruturas de poder, em especial sobre as ficções por elas criadas para a manutenção do controle dos indivíduos. Entre elas, o artista volta-se às permanências dos efeitos da economia escravocrata na formação histórica brasileira, assim como aos mecanismos das instituições religiosas na fundação de imaginários que visam a submissão dos fiéis.

 

Griffo utiliza sua formação em arquitetura para elaborar espaços em que coexistem referências históricas e contemporâneas. Seus espaços, usualmente vazios, são habitados por rastros, símbolos e signos que destacam a permanência e influência do passado em problemáticas socioculturais atuais de modo fantasmático. Sua produção entrelaça o documental e o ficcional, explorando a conexão entre as disciplinas da História da Arte e da Arquitetura às questões sociais, brasileiras e mundiais. Ao sobrepor diversas temporalidades e suas complexas realidades, os trabalhos de Griffo expõem elementos constitutivos da sociedade de modo a criar relatos sobre a permanência das coisas.

 

André Griffo nasceu em 1979, em Barra Mansa, Brasil. Atualmente, vive e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil. Dentre suas principais exposições individuais destacam-se: A quem devo pagar minha indulgência?, na Galeria Athena (2019), no Rio de Janeiro, Brasil; Objetos sobre arquitetura gasta, no Centro Cultural São Paulo (CCSP) (2017), em São Paulo, Brasil; Intervenções pendentes em estruturas mistas, no Palácio das Artes (2015), em Belo Horizonte, Brasil; Predileção pela alegoria, na Galeria Athena (2015), no Rio de Janeiro, Brasil. Principais coletivas recentes incluem: 21ª Bienal de Arte Contemporânea SESC Vídeo Brasil (2019), em São Paulo, Brasil; Intervenções, no Museu da República (2016), no Rio de Janeiro, Brasil; Ao amor do público, no Museu de Arte do Rio (MAR) (2015), Rio de Janeiro, Brasil; Aparições, na Caixa Cultural (2015), no Rio de Janeiro, Brasil. Foi contemplado com uma bolsa para realizar a residência artística do Vermont Studio Center (Johnson, E.U.A.). Suas obras integram várias coleções, tais como: Instituto Itaú Cultural, São Paulo, Brasil; Instituto PIPA, Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro, Brasil.