Ruínas

Biografia

Em seu trabalho, Medeiros articula uma abordagem da pintura que ultrapassa a especificidade de seu próprio meio, utilizando recursos da escultura, da performance e da instalação. Nessa perspectiva híbrida do pictórico, Medeiros interroga os meios artísticos além de seus formatos convencionais, onde pinturas e instalações in situ servem para explorar as relações entre espaço, tempo e a corporeidade da arte e do espectador. 

 

Intervindo muitas vezes de maneira direta nos espaços expositivos, Medeiros concebe suas obras a partir de detalhes do lugar, sejam eles materiais, elementos estruturais ou até mesmo sua relação com a iluminação, natural e artificial. Sua prática introduz no espaço uma organicidade ao expor suas entranhas, ou estruturas, fazendo da arquitetura não apenas uma estrutura, mas um corpo específico em si mesmo na experiência da arte. 

 

Através de procedimentos arqueológicos, Medeiros torna visível aquilo que muitas vezes subjaz, nutrindo-se da ideia de ruína, um índice espacial da passagem do tempo. A artista escava as superfícies, como as paredes do espaço expositivo, para trazer à tona as diferentes cores e materiais que ali foram aplicados e que permaneciam esquecidos. Desse modo, Medeiros visa refundar nossa experiência temporal ao expor, simultaneamente, suas sucessivas camadas, cada qual portadora da memória do momento em que foi aplicada, deixando-as coexistir e interpenetrar-se. Medeiros opera entre a construção e a destruição, mostrando sua complementaridade, mais do que seu antagonismo. 


Manoela Medeiros nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1991. Atualmente vive e trabalha entre o Rio de Janeiro e Paris, França. Medeiros estudou na École Des Beaux-Arts, em Paris, e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro. Exposições individuais incluem: Concerto a céu aberto, na Kubik Gallery (2020), em Porto, Portugal; L'être dissout dans le monde, na Galerie Chloé Salgado (2019), em Paris, França; Poeira varrida, na Galeria Fortes D’Aloia & Gabriel (2017), em São Paulo, Brasil; e Falling Walls, na Double V Gallery (2017), em Marselha, França. Entre exposições coletivas encontram-se: Recyclage / Surcyclage, na Fondation Villa Datris (2020), na L'Isle-sur-la-Sorgue, França; Reservoir, no 019 (2020), em Ghent, Bélgica; Vivemos na melhor cidade da América do Sul, na Fundação Iberê Camargo (FIC) (2018), em Porto Alegre, Brasil;  Espaces témoins, na Praz Delavallade (2018), em Paris, França; 67eme Prix Jeune Création, la Galerie Thaddaeus Ropac (2017), em Paris, França; 62eme Salon Montrouge (2017), em Paris, França; In Between, na Galeria Bergamin & Gomide (2016), em São Paulo, Brasil; 11º  Abre Alas, na Gentil Carioca, (2015), no Rio de Janeiro, Brasil; entre outras.