Biografia

Escritor e artista visual, Thiago Barbalho encontrou no desenho um modo de expressão que suplantou uma crise com a palavra. Trabalhando em diferentes dimensões e com diversos materiais (lápis de cor, grafite, spray, óleo, pastel oleoso e marcador sobre papel), suas composições trazem ao olhos do público universos intrincados, em que formas e cores se entrelaçam e embaralham em narrativas psicodélicas capazes de abolir a relação figura e fundo. Barbalho entende o desenho como uma tecnologia ancestral, que atravessa eras e culturas. Sua pesquisa visual vê no desenho o rastro de uma presença e da relação entre a mente – a imaginação–, e o corpo – o gesto–, entre a consciência e a realidade.

Segundo a crítica e curadora Kiki Mazzuccheli: “Ao trabalhar essencialmente com desenho, Barbalho produz composições extremamente intricadas, porém não planejadas, nas quais uma multiplicidade de imagens, símbolos e campos de cor se fundem umas nas outras para criar superfícies vibrantes ininterruptas”. O aparente caos de suas imagens surge do vagar do gesto que traceja, recusando a submeter-se às lógicas formais ditadas pela racionalidade. De fato, deparamo-nos em seu trabalho com fragmentos diversos, uma profusão de referências de diferentes esferas, conjugando cultura popular nordestina, personagens de desenhos animados, assim como signos e símbolos advindos do universo do comércio e da cultura de massa. Somadas às leituras e pesquisas de Barbalho no campo da filosofia, da antropologia e da mística a partir de seu interesse pelas relações entre matéria e pensamento, seus desenhos instauram um universo visual cuja maior constante é a própria revolução.

Thiago Barbalho nasceu em 1984, em Natal, Brasil. Atualmente, vive e trabalha em São Roque, Brasil. Dentre suas principais exposições individuais destacam-se: Correspondência, na Galeria Marília Razuk (2019), em São Paulo, Brasil; e Thiago Barbalho, no Kupfer Project Space (2018), em Londres, Reino Unido. Principais coletivas recentes incluem: Electric Dreams, na Nara Roesler (2021), no Rio de Janeiro, Brasil; AVAF, na Casa Triângulo (2018), em São Paulo, Brasil; Rocambole, na Pivô (2018), em São Paulo, Brasil, e na Kunsthalle Lissabon (2019), em Lisboa, Portugal; Voyage, na Galeira Bergamin & Gomide (2017), São Paulo, Brasil; Shadows & Monsters, no Gasworks (2017), em Londres, Reino Unido. Suas obras integram coleções como a da Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil.