Antonio Dias
Sem título/Untitled, 1983
técnica mista sobre tela 
mixed media on paper
48 x 63 x 1,8 cm
18.9 x 24.8 x 0.7 in

Antonio Dias (1944–2018) é uma figura de destaque no modernismo tardio brasileiro, conhecido por seus ousados trabalhos pop com temática política feitos durante os anos 1960 e, principalmente, por sua abordagem da pintura conceitual e da instalação durante o final dos anos 1960 e 1970. Por volta de 1983, ele produziu uma importante série de pinturas / colagens / montagens, nas quais fundiu sua forma conceitual característica (retângulos com um quadrado faltando na borda) com recortes de jornais e uma nova faktura textual e pictórica.

 

Esses trabalhos incorporaram as singularidades do “retorno à pintura” próprio de Dias em um momento que ficou reconhecido, no período pós-moderno, pelo reflorescimento global da figuração. Dias acompanhou esse ‘retorno cíclico da pintura’ ao fundir seu longo interesse na qualidade corpórea da arte com uma investigação abrangente ao redor das noções de arte e política.
 

 

A prática de Dias ressoa na produção de Karin Lambrecht (1957) do final dos anos 1980 e início dos anos 1990. No Rio Grande do Sul, Lambrecht firmava o núcleo de seu trabalho na abordagem da pintura como suporte da linguagem e da abstração, seguindo uma série de referências: do legado pictórico de Mira Schendel ao radical Acionismo vienense; Lambrecht, ao propor a pintura como investigação filosófica sobre a fragilidade da existência humana, faz Dias ecoar como seu contemporâneo.

 

A política da pintura de Dias encontra a metafísica da pintura de Lambrecht, ainda que ambos artistas proponham diferentes abordagens da arte, afastando-a das tendências de uma pintura superficial, à la mode durante os anos 1980.