Tomie Ohtake

Sem Título, 1976

óleo sobre tela

100 x 100 cm

Press Release

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Nesta exposição de Tomie Ohtake na Galeria Nara Roesler, o curador Paulo Miyada traz mais uma chave para alcançar o pensamento plástico da consagrada artista brasileira. Focada em pinturas da década de 70, acrescida de algumas gravuras, a mostra inclui parte dos cadernos da pintora - muito pouco conhecidos, mesmo no circuito das artes -, nos quais pequenas colagens revelam como se iniciava a experimentação pictórica de Tomie.

Os delicados estudos eram feitos a partir de um procedimento singular: rasgar, cortar e colar recortes de papéis comuns do dia-a-dia, como revistas, convites, jornais, folhetos etc. "Prestar atenção nessa processualidade de Tomie Ohtake é ganhar acesso aos vínculos de sua pintura com o acaso, a gestualidade e a ousadia cromática", assinala o curador.

Miyada aponta que os diminutos estudos são um recurso consistente e recorrente na obra da artista até meados da década de 1980. "As composições encontradas serviam de roteiro para pinturas e gravuras que experimentavam diferentes escalas e combinações cromáticas. É como se a prancheta com papéis recortados fosse uma zona de mineração de formas e encontros de cores", observa o curador.

Em suas composições da década de 60, Tomie rasgava os pedaços de papel para criar a gênese de suas pinturas. "As figuras, no caso, assemelham-se a formas geométricas simples, porém de contornos tremeluzentes; guardam a memória de terem sido rasgadas com a ponta dos dedos", ressalta o curador. Já na década de 1970, quando as pinturas começaram a lidar com formas de contornos mais nítidos, os estudos também se transformaram, pois a artista passou a utilizar a tesoura - e nunca régua e estilete - para cortar os papéis. "Era uma forma de lidar com a instantaneidade do gesto e impregnar todo o processo de pintura com seu equilíbrio entre acaso e controle".

Miyada destaca ainda que essas composições dos anos 1970 ficaram mais densas, o branco (a folha em branco) foi tomado por áreas de cor, às vezes sugerindo paisagens. "As texturas da pintura, surpreendentemente, muitas vezes nascem na própria colagem, apropriadas de materiais fotográficos diversos. A paleta cromática também se expande, num corpo a corpo com o cromatismo de uma época que flertava com a psicodelia", completa.

Vistas da Exposição

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vista da exposição -- 

galeria nara roesler | são paulo, 2017

foto everton ballardin © galeria nara roesler