León Ferrari

La venus tocada, 1964

caixa com colagem

53,5 x 36 x 5 cm

Press Release

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A Galeria Nara Roesler | New York apresenta León Ferrari, Por um Mundo Sem Inferno, que reúne vinte e duas colagens que investigam temas recorrentes na produção do artista tais como o amor, a linguagem, religião e poder. Com curadoria de Lisette Lagnado, curadora da 26ª Bienal de São Paulo (2006), a mostra é a segunda de duas exposições de Ferrari organizadas pela Galeria Nara Roesler em 2018.  Por um Mundo Sem Inferno estará aberta ao público a partir 27 de abril até dia 30 de junho de 2018.

 

A exposição em Nova York foi concebida especialmente para o espaço da galeria. Segundo Lagnado, "a seleção atual visa sublinhar um dos elementos fundamentais de uma vida artística que perdurou aproximadamente sessenta anos: o prazer erótico. A exibição é estruturada em torno da colagem La Venus Tocada, em que uma escultura nua e sem braços é acariciada por onze mãos humanas. O número ímpar sugere a intrusão da mão do artista na imagem, enquanto a representação da figura voltada para trás agrega um valor andrógino à definição de beleza".

 

As colagens adicionais foram produzidas entre 1986 e 1988 e entre 1996 e 1998. Enquanto estas tem sua temática voltada ao amor, a curadora menciona "sua concepção, longe de platônica, desafia a discriminação contra a homossexualidade, e a misoginia das escrituras sagradas, marcadas pelo castigo e pelo inferno." O artista desafia a permissão paradoxal do imaginário sexual e violento presente na iconografia religiosa, enquanto existe uma censura do imaginário sexual relacionado ao prazer. Durante sua carreira, Ferrari produziu peças que desafiaram os mandamentos e doutrinas políticas e científicas. Assim, a relação entre Arte e Poder definem o corpo de trabalho de Ferrari, que denuncia veementemente a violência.   

 

Em sua seleção, a curadora combina trabalhos artísticos que usam de iconografia oriental e braile como meios de expandir o repertório visual além da estética Greco-Romana e incluir a energia sensorial. A importância do braile é alinhada à investigação da linguagem, que é central para a prática de Ferrari. Como Lagnado explica "A fusão entre misticismo e cegueira é aplicada ao texto e imagens simultaneamente, levando em consideração que o texto é uma imagem." Em algumas de suas séries mais notórias, o artista contesta excertos de textos canônicos ao criar linhas emaranhadas, um processo que inclui caligrafias distorcidas para que eles se tornem ilegíveis, gerando códigos imaginários e criando uma língua inacessível. Em 2009, o Museu de Arte Moderna (MoMA) em Nova York, apresentou Tangled Alphabets: León Ferrari and Mira Schendel [Alfabetos Enroscados: León Ferrari e Mira Schendel], com a curadoria de Luis Pérez-Oramas e com enfoque nas investigações de ambos artistas acerca da língua - e da palavra - escrita na arte visual. Agora, quase uma década depois, Galeria Nara Roesler | New York apresenta uma exposição que investiga, como escreve Lagnado, "Para quem são esses alfabetos? E o que ele tem a dizer sobre as imagens as quais estão associados?"        

Vistas da Exposição

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vista da exposição -- león ferrari, for a world with no Hell -- galeria nara roesler | new york, 2018 

Texto Crítico

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  • do conceito de verdade em León Ferrari

    lisette lagnado
    Em 2009, o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) organizou a exposição “Tangled Alphabets: León Ferrari and Mira Schendel” (sob a curadoria de Luiz Pérez-Oramas) que itinerou para o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (Madri, Espanha) e a Fundação Iberê Camargo (Porto Alegre, Brasil), reunindo um amplo conjunto de obras dos dois artistas. A exposição do MoMA procurou dar ênfase às formas de inserir a linguagem verbal no campo da visualidade. Quase dez anos depois, a cidade de Nova York recebe um recorte preciso da produção de León Ferrari, dessa vez na Galeria Nara Roesler, responsável pela representação do espólio do artista argentino, cujo nome está inscrito na vanguarda artística do experimentalismo e conceitualismo latino-americano. Trata-se agora de olhar apenas vinte colagens e indagar: para que servem esses alfabetos? E o que dizem as imagens com as quais estão associadas? Entre fragmentos poéticos e sentenças divinas, a curadoria levanta hipóteses acerca do “alfa e ómega” (princípio e fim) de León Ferrari (Buenos Aires, 1920-2013),...