Œil—Flame

centre rhénan d’art contemporain (crac), altkirch, frança
16 - 18.6.2022

Com curadoria dos portugueses João Mourão e Luís Silva, o CRAC Alsace (Centre rhénan d’art contemporain), em Altkirch, apresenta "Œil—Flame" [Olho-Faísca], primeira exposição institucional de Jonathas de Andrade na França. 

 

"Œil—Flame" aborda um aspecto fundamental do trabalho de De Andrade: o corpo masculino. Ainda que a crítica já tenha apontado para o homoerostimo como uma tônica do trabalho do artista, esta é a primeira vez que uma exposição se propõe a reunir os diferentes modos de aproximação com o tema. Nesse sentido, a mostra visa reparar essa ausência, revelando como a presença desse corpo na obra pode ser muito mais do que uma ferramenta que lhe permite abordar diversos assuntos.

 

“O erotismo para mim é menos um assunto e mais uma temperatura para temas mais gerais, a presença do olhar erótico desafia nossa própria relação com o corpo do outro e toda a moralidade e fascínio em torno dele. É o corpo que guarda memórias ancestrais de repressão de um povo, de uma cultura, mas é também ele que carrega a chance de transcender, e liberar essa carga em exercício pleno de liberdade”, resume o artista.

 

"Œil—Flame" possui duplo enfoque. Por um lado, aborda o papel dos homens, de seus corpos, investigando toda sua dimensão erótica, tal como a percebemos em "O Peixe" (2016), vídeo aclamado, exibido no New Museum e no MCA, em Chicago; e nos "Cartazes para o Museu do Homem do Nordeste" (2013), em que o corpo se revela de forma explícita. Em outros trabalhos, a abordagem se dá por rastros do corpo. "Suar a camisa" (2014) reúne 120 camisetas usadas por trabalhadores das mais diversas áreas, carregando, ainda, seus cheiros e marcas de suor, enquanto os torsos de barro de "Achados e perdidos" (2020) trajam sungas esquecidas em um clube. 

 

Por outro lado, a mostra aborda a os espaços onde esses corpos se relacionam, investigando como esses pontos de encontro secretos auxiliaram na construção de um olhar homoerótico capaz de abarcar nuances de um desejo que pode se revelar, por vezes, conflitante e contraditório. Exemplos disso são "2em1" (2010), e "O clube" (2010), série fotográfica que nos mostra um clube desativado, que se tornou um espaço para fortuitos encontros sexuais.

 

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