Biografia

A obra de Maria Klabin envolve cenas, ocorrências e paisagens permeadas pelo cotidiano e, portanto, vistas e vivenciadas de forma exaustiva. Ao lidar com elementos onipresentes, Klabin extrai a cadência de sua recorrência, buscando captar o ritmo formal embutido na repetição, ou banalidade, de sua experiência. O processo da artista consiste em produzir e reunir constantemente desenhos, fotografias e anotações que ela extrai de seu entorno. O acúmulo de pensamentos e imagens se entrelaçam e integram um sentido unitário, desvelando as intrigantes relações que constituem o centro das investigações pictóricas da artista. Em suas próprias palavras, Klabin desenvolve seu trabalho “como se estivesse escrevendo uma história, ou um diário, mas um diário de coisas que não aconteceram realmente. É uma narrativa que pode ser contada apenas através da pintura, mas que aborda temas que parecem mais familiares para escritores do que para pintores.”

 

Maria Klabin oscila entre extremos no que diz respeito a escala de seus trabalhos, produzindo pinturas ora pequenas, ora monumentais, a depender da natureza do tema abordado. Suas telas em reduzidas dimensões costumam servir de suporte para os fluxos rápidos de pensamento – como anotações em papel, que possivelmente tomam proveito do seu inconsciente – e capturam, efetivamente, o ritmo de seu entorno. Suas pinturas em grande formato, por sua vez, incorporam percepções de cunho mais contemplativo e onírico. Recentemente, Klabin produziu uma série de pinturas de paisagens que se aproximam da escala do mural, partindo de fragmentos de elementos autobiográficos, destilados do que ela descreve como uma improvável e fluida colcha de retalhos da memória, o que resulta em composições não atraentes e assustadoras que escapam a objetividade.

 

Maria Klabin estudou Artes Visuais e História da Arte na Brandeis University, em Massachusetts, Estados Unidos, onde ganhou o prêmio Susan May Green de pintura. Em 2002, concluiu o mestrado na Central Saint Martins – University of the Arts London, em Londres, Reino Unido. Exposições individuais incluem: Entre Rio e Pedra, na Galeria Silvia Cintra (2017), no Rio de Janeiro, RJ, Brasil; E o dia havia acabado, quando começou, na Galeria Silvia Cintra (2014), no Rio de Janeiro, RJ, Brasil; entre outras. Exposições coletivas incluem: In Waiting: Works Produced in Isolation, na Nara Roesler, em São Paulo, SP, Brasil (2020), Já estava assim quando eu cheguei, na Ron Mandos (2020), em Amsterdã, Holanda; Festival de Arte Contemporânea, no SESC VideoBrasil (2012/13), em São Paulo, SP, Brasil; Novas Aquisições da Coleção Gilberto Chateaubriand, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) (2012), no Rio de Janeiro, RJ, Brasil; Rumos 2005/06 Paradoxos Brasil, no Itaú Cultural (2006), em São Paulo, SP, Brasil; Além da Imagem, no Paço Imperial (2006), no Rio de Janeiro, RJ, Brasil; entre outras. Suas obras fazem parte de importantes acervos institucionais, como Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, Brasil e Itaú Cultural, em São Paulo, Brasil.