Beatriz do Nascimento (Vogue Brasil), 2021

Biografia

Elian Almeida baseia sua prática na convergência de diferentes linguagens, como pintura, fotografia, vídeo e instalação, tornando-se expoente de uma nova geração de artistas produtores de objetos e imagens que reivindicam protagonismo para agentes e corpos usualmente marginalizados em nossa sociedade e na tradição da arte. Com uma abordagem decolonial, seu trabalho se debruça sobre a experiência e performatividade do corpo negro na sociedade contemporânea. Para isso, ele recupera elementos do passado, imagens, narrativas e personagens - oficiais e extra oficiais -, de modo a contribuir para o fortalecimento e divulgação da historiografia afro-brasileira.

 

Por um lado, sua pesquisa se debruça sobre biografias de personagens negras que tiveram sua importância apagada pela história, atribuindo-lhes a devida importância. Por outro, o artista volta-se para as violentas abordagens policiais de corpos racializados, revisitando as noções de privilégio, presentes na cultura e sociedade brasileira, assim como denunciando o mito da democracia racial. Em sua série Vogue, em que Almeida se apropria da identidade visual e da estética dessa famosa revista de moda para vincular corpos negros, vemos a convergência dessas diversas linhas de trabalho, levando-nos a questionar sobre os modos como esses sujeitos são representados e postos em circulação na cultura visual brasileira.


Elian Almeida nasceu em 1994, em Rio de Janeiro, Brasil. Atualmente vive e trabalha entre o Rio de Janeiro, Brasil, e o Paris, França. Seus trabalhos estiveram presentes em diversas coletivas, entre elas: Enciclopédia negra, na Pinacoteca do Estado de São Paulo (2021), em São Paulo, Brasil; Amanhã há de ser outro dia / Demains sera um autre jour, no Studio Iván Argote e no Espacio Temporal (2020), em Paris, França; Esqueleto – 70 anos de UERJ, no Paço Imperial (2019), no Rio de Janeiro, Brasil; Arte naïf – Nenhum museu a menos, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV Parque Lage) (2019), no Rio de Janeiro, Brasil; Mostra memórias da resistência, no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica (CMAHO) (2018), no Rio de Janeiro, Brasil; Bela verão e Transnômade Opavivará, no Galpão Bela Maré (2018), no Rio de Janeiro, Brasil; Novas poéticas – Diálogos expandidos em arte contemporânea, no Museu do Futuro (2016), em Curitiba, Brasil; entre outras.