roesler hotel - são paulo 29.8 - 24.10.2026

magalí arriola speaking in tongues,

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A Nara Roesler São Paulo tem o prazer de apresentar Speaking in tongues [Falando em línguas], com curadoria da escritora e curadora Magalí Arriola (Paris, França, 1970; vive e trabalha na Cidade do México). A exposição integra o ciclo comemorativo dos 50 anos da trajetória de Nara Roesler como galerista e celebra o Roesler Hotel, projeto iniciado em 2004 que, ao longo de 29 edições, acolheu artistas, curadores e ideias de diferentes partes do mundo, consolidando-se como um espaço de experimentação dentro da galeria.

 

Reunindo trabalhos de Adriano Amaral, Ann Lislegaard, Antonio Dias, Carlos Bunga, Dan Graham, Gino De Dominicis, a dupla Guadalupe Rosales e Rafa Esparza, Julia Gallo, Jonathan Torres, Petrit Halilaj, e Tania Pérez Córdova, a exposição parte da figura do oráculo e da impossibilidade de uma leitura certeira do futuro. “O que acontece quando, diante da aceleração dos acontecimentos e do excesso de informação, o oráculo fala em línguas, e aquilo que antes oferecia orientação — nossas coordenadas sociais e políticas — torna-se instável e difuso?”, questiona Arriola em seu texto curatorial.

 

Nesse contexto, o futuro deixa de ser o território das grandes narrativas, previsões e promessas e passa a constituir um campo de possibilidades, no qual tecnologia e messianismo, medo e nostalgia, espera e utopia se entrelaçam. “Consultar um oráculo é formular perguntas como se o destino fosse singular e inteiramente legível, quando, na verdade, sabemos que sempre há espaço para a interpretação”, observa a curadora.

 

A própria noção de “falar em línguas” sugere uma comunicação que não se deixa traduzir completamente. Entre mensagens indecifráveis, referências mitológicas, imagens do passado e possibilidades de futuro, as obras se relacionam como ecos, sinais ou presságios umas das outras. Os sentidos não se apresentam de maneira única ou definitiva, mas se constroem a partir das relações entre os trabalhos.

 

É nesse espaço entre o que pode ser compreendido e aquilo que permanece opaco que Speaking in tongues [Falando em línguas] constrói sua narrativa. No texto que acompanha a exposição, Arriola afirma que a mostra se opõe à “lógica contemporânea que busca nos categorizar como indivíduos, apagando todas as formas de opacidade”. Contra essa tendência, a exposição “reativa a especulação, o sonho e outras formas de subjetividade como estratégias para resistir à urgência de cristalizar o futuro”, aproximando diferentes vozes e perspectivas sem buscar uma única interpretação.

 

Ao conversar com Daniel Roesler e Luis Pérez-Oramas sobre uma exposição celebrativa dos 50 anos de Nara Roesler como galerista, Arriola conta ter pensado “um pouco no que vinha antes, mas também no futuro”. Uma das obras que orientaram essa reflexão foi Oracles, Owls… Some Animals Never Sleep [Oráculos, corujas... Alguns animais nunca dormem] (2011–2021), animação de Ann Lislegaard com a qual a curadora desejava trabalhar havia muito tempo. Na obra, a figura do oráculo é representada pela coruja, reverenciada como símbolo de sabedoria na Grécia antiga e considerada um presságio de infortúnio em diferentes cosmologias mesoamericanas.

 

Outra obra fundamental para a concepção da exposição foi Oráculos (2025), de Tania Pérez Córdova, que levou Arriola a explorar figuras mitológicas e as diferentes formas pelas quais elas são encarnadas. A partir daí, a curadora criou ecos entre artistas da galeria e convidados. É o caso de Cocoon skin 1 (2025), de Carlos Bunga, obra que remete àquilo que resta do passado, mas também sugere algo que ainda poderá acontecer ou reencarnar sob outra forma.

 

sobre o roesler hotel

 

“A ideia do Roesler Hotel surgiu no decorrer do processo de internacionalização da galeria, das idas e das participações em feiras na Europa e nas Américas, da movimentação crescente do meio, da presença de um público entusiasmado em busca de novidades e do reencontro com trabalhos novos de artistas conhecidos e, especialmente, do contato com outros espaços de arte de vários países, com suas apostas arrojadas, sua generosidade e seus fascinantes grupos de artistas representados”, conta Daniel Roesler, sócio e diretor da Nara Roesler.

Criado em 2004, o Roesler Hotel nasceu voltado a acolher artistas, curadores e ideias de diferentes línguas, perspectivas e contextos, aproximando distintas cenas da arte contemporânea. Pensado como um espaço de experimentação curatorial dentro da galeria, o projeto assumiu diferentes formatos ao longo do tempo, de exposições individuais a coletivas concebidas por curadores convidados, estabelecendo diálogos entre a produção brasileira e outras cenas da arte contemporânea.

 

Ao longo de 29 edições, realizadas entre 2004 e 2019, o programa reuniu artistas brasileiros e estrangeiros e abriu espaço para que curadores convidados desenvolvessem livremente seus projetos. Em suas primeiras edições, apresentou artistas estrangeiros no Brasil, como Martin Sastre (Uruguai), Miguel Angel Tornero (Espanha), Susan Turcot (Canadá), Xawery Wolski (Polônia), Dino Bruzzone (Argentina), Martín y Sicilia (duo, Ilhas Canárias), Máximo González (Argentina/México), Daniel Malhão (Portugal), José León Cerrillo (México), Jasper Krabbé (Holanda), Rosario López Parra (Colômbia), Sutapa Biswas (Índia/Londres), Ernesto Ballesteros (Argentina), Paul Ramírez Jonas (EUA), Jonathan Hernández (México) e Melanie Smith (Reino Unido), além das coletivas Otras Floras, concebida pelo curador colombiano José Roca e reunindo catorze artistas latino-americanos; Cromofagia, de Victoria Noorthoorn (Argentina); e Leveza e Aspereza da Linha, de Agnaldo Farias (Brasil).

 

A partir de 2012, sobretudo, o Roesler Hotel abrigou projetos coletivos e curatoriais, na seguinte sequência de curadores e exposições: Patrick Charpenel (México), Lo Bueno y Lo Malo; Vik Muniz (Brasil), Buzz; Alexia Tala (Chile), Hamish Fulton – Atacama 1234567, individual de Hamish Fulton (Reino Unido); Tim Goossens (Bélgica/Nova York), Dark Paradise; Moacir dos Anjos (Brasil), Cães sem plumas [prólogo]; Luisa Duarte (Brasil), Dispositivos para um mundo (im)possível; Matthieu Poirier (França), Spectres; Michael Asbury (Inglaterra), A Pureza é um mito; Vik Muniz, em parceria com Lucas Blalock e Barney Kulok (EUA), Screenspace; Agnaldo Farias, Reflexões sobre espaço e tempo; e, agora, Magalí Arriola (França), Speaking in tongues.