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Em Concepção, Karin Lambrecht apresenta novas incursões em sua busca pela presença do imaterial em sua primeira mostra na Galeria Nara Roesler do Rio de Janeiro

 

A primeira exposição do ano na Galeria Nara Roesler do Rio de Janeiro é também a estreia de uma de suas representadas no espaço de Ipanema. Em Concepção, Karin Lambrecht apresenta cerca de 15 obras produzidas em 2015, entre desenhos e pinturas. A mostra fica em cartaz de 25 de fevereiro (quinta-feira) a 9 de abril.

 

Karin Lambrecht, um dos nomes consagrados da Geração 80, tornou sua marca registrada a pintura de cores vivas sobre a lona bruta, com pigmentos desenvolvidos por ela mesma, como também desenhos, esculturas e procedimentos de criação de obras que incorporam elementos e aspectos ritualísticos, como no caso das peças realizadas com sangue do abate de cordeiros.

 

Em Concepção, a artista partiu de um contexto onírico para criar a série de desenhos e pinturas em grandes dimensões: “sonhei que meu ateliê era parte de um prédio quase  labiríntico e, para chegar até meu espaço de trabalho, tinha que subir-se muitas ESCADARIAS incrustadas na parede. Na EDIFICAÇÃO, notava-se um TINGIMENTO  às vezes de cores intensas e outras vezes por notável ausência da COR. O espaço, arquitetonicamente, no meu sonho, era  todo recortado em LINHAS CURVAS e outras PARALELAS”.

 

Essa narrativa inspiradora dá conta das premissas usadas na série de trabalhos da exposição. As pinturas prosseguem com a pesquisa cromática vibrante da artista, contraposta à brancura dos desenhos, realizados sobre papel e feltro por meio de costuras e pela deposição etérea da aquarela e de pequenos detalhes em folha de ouro, além da eventual presença de sangue - desta vez extraído em quantidade mínima de pequenos ferimentos de alfinete e agulha que a artista sofreu ao costurar os trabalhos.

 

Assim, a artista evoca novamente seu sonho inspirador: “A subida era exageradamente íngreme e as MÃOS E PULSOS ARRANHAVAM-SE, sangravam, tinha que segurar-se com força nos corrimões laterais que era de um material bruto. Por causa disso os sangramentos manchavam OS PUNHOS DAS CAMISAS BRANCAS(...)”.

 

Dessa forma, Karin Lambrecht busca fixar a presença do imaterial, compreendida na forma ritualística com que a artista emprega elementos orgânicos - seja nos pigmentos, seja no sangue, na aquarela, nas linhas de costura e no ouro. Para tanto, ela lança mão de seu léxico imagético, que encontra nos pigmentos a manifestação do terreno, do material, ao mesmo tempo que alcança um sentido espiritual nos desenhos feitos da ruptura do branco silencioso por símbolos delicados, que expressam uma linguagem nascida não do Homem, mas de Deus, conexão plena entre corpo e espírito. Nas palavras da artista, “Nesta CONSTELAÇÃO, impregnada por um tipo de impressões do

imaginário num passeio noturno, senti saudade do Pai, deste amor EXPRESSIVO em  vida e sereno na sua atemporalidade”.