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A Nara Roesler apresenta a exposição coletiva O fascínio e o afeto, com curadoria de Agnaldo Farias. A mostra reúne trabalhos históricos e inéditos de Abraham Palatnik, Amelia Toledo, Artur Lescher, Brígida Baltar, Julio Le Parc, Tomie Ohtake, Rodolpho Parigi, Vik Muniz e José Cláudio da Silva, artistas com os quais Nara construiu amizade, articulando contato constante e o desenvolvimento de suas carreiras nos campos artísticos nacional e internacional.

Segunda exposição em comemoração aos 50 anos da trajetória de Nara como galerista, a mostra toma como ponto de partida as relações de amizade e convivência cultivadas por ela ao longo de décadas de atuação no circuito artístico.

 

O projeto marca também mais um capítulo da longa interlocução entre Nara Roesler e Agnaldo Farias, que além de ter atuado como curador de bienais e importantes mostras institucionais no Brasil e no exterior, também é amigo da galerista há cerca de 30 anos e responsável pela curadoria de mais de 16 exposições realizadas na galeria.

 

Em seu texto, Agnaldo Farias rememora a formação de Nara em Recife, em uma casa marcada por encontros entre músicos, artistas, arquitetos, escritores e intelectuais. “Foi justamente dessa atmosfera que nasceu seu fascínio permanente pelo extraordinário universo da cultura”, escreve, aproximando a trajetória da galerista de uma ideia de interlocução constante com os artistas, para além da relação profissional.

 

Entre os destaques da mostra está a série de quebra-cabeças de Vik Muniz, em que o artista subverte a lógica tradicional do objeto ao dissociar a imagem do encaixe de suas peças. “Uma peça de quebra-cabeça é, ao mesmo tempo, imagem e objeto”, afirma Muniz sobre os trabalhos. A exposição inclui ainda uma instalação de 2011 de Brígida Baltar, exibida pela primeira vez em São Paulo nesta década, composta por uma harpa e asas de bronze suspensas no espaço, em uma tensão entre elevação e queda, o angelical e o mundano.

 

Das experiências cinéticas e lumínicas de Julio Le Parc e Abraham Palatnik às estruturas orgânicas de Amelia Toledo e Tomie Ohtake, passando pelas investigações formais de Artur Lescher e Rodolpho Parigi, a coletiva articula diferentes gerações e linguagens em torno de vínculos de proximidade e acompanhamento mútuo. Logo na entrada da exposição, o retrato de Nara pintado por José Cláudio, artista decisivo em sua aproximação com o meio das artes, recebe o público.