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A Nara Roesler New York apresenta Mirroring Nature, exposição coletiva que reúne obras de Amelia Toledo, Brígida Baltar, Bruno Dunley, Cao Guimarães, Dávila&Portillo, Cássio Vasconcellos, Jonathas de Andrade, Karin Lambrecht, Laura Vinci, Manoela Medeiros, Marcelo Silveira, Gego, Amparo de la Sota, Maria Klabin e Gerardo Rosales. Em cartaz de 16 de julho a 22 de agosto de 2026, a mostra propõe uma reflexão sobre a natureza não apenas como tema ou paisagem, mas como um conjunto de fenômenos, forças e formas de vida por meio dos quais o mundo se estrutura e se transforma continuamente.

 

Nas esculturas de Amelia Toledo, da série Dragão cantor; em Folhas avulsas #1, Galhinho e Muda, de Laura Vinci; nos fitólitos de Manoela Medeiros; e na madeira de cajacatinga marcada pelo fogo de Marcelo Silveira, matéria mineral e vegetal se encontram em diferentes estados de transformação. Já a documentação de A coleta da neblina, de Brígida Baltar, seus trabalhos realizados com pó de tijolo, juntamente com os bordados da série A pele da planta, a obra Conexiones, bordado manual de Amparo de la Sota, e Drawing Without Paper #11, de Gego, transformam a superfície em um espaço onde tempo, gesto e matéria se inscrevem, evocando configurações rizomáticas, sinápticas, celulares e organicamente internas.

 

Por meio da fotografia, a exposição reúne diferentes escalas de observação. Em Clinâmen, Cao Guimarães retoma a noção de "desvio mínimo" desenvolvida pelo filósofo grego Epicuro para explicar o dinamismo dos átomos, segundo o qual pequenos e imprevisíveis desvios em seu movimento tornam possível a formação dos mundos. Em O espírito das águas, Jonathas de Andrade parte da proximidade entre peixes e pescadores para ampliar sua investigação sobre as relações entre o corpo humano e os ambientes aquáticos. Por meio de temas como vida, morte, água, ar e contato entre espécies, a obra revela um universo em que afeto e violência se entrelaçam.

 

Em Viagem Pitoresca pelo Brasil #142, Cássio Vasconcellos revisita a tradição das expedições artísticas e científicas que documentaram um território então pouco conhecido, questionando as formas pelas quais a Mata Atlântica foi enquadrada e transformada em paisagem. Nebula, complexo entrelaçamento criado por Dávila&Portillo, revela, por meio de seu título de inspiração astrofísica, tanto as nuvens de poeira celeste quanto o céu estrelado que os artistas modernos converteram em uma linguagem visual contínua e abrangente.

 

Nas artes visuais, a natureza não se apresenta apenas como um mundo exterior a ser reproduzido, mas também como um repertório de materiais, formas e processos. As formas e matérias naturais podem ser figuradas, como em Troféu III, de Bruno Dunley, participando da própria construção da imagem, ou utilizadas e transformadas fisicamente, como em Fragmento, de Karin Lambrecht, na qual a artista combina pigmentos em emulsão acrílica e carvão vegetal sobre tela, incorporando matéria orgânica à superfície da obra. Seja de maneira representacional e mimética, como nas observações de frutos e paisagens de Maria Klabin, seja de forma simbólica e alegórica, como nas obras sobre papel Culebra y llantén, Icaco, Planta 1, Hormiga culona, Líneas cruzadas, Fence-A e Frailejones, de Gerardo Rosales, plantas, serpentes e insetos se reúnem em imagens que articulam observação, cultura popular, fabulação e um imaginário queer contemporâneo.