A Nara Roesler São Paulo tem o privilégio de apresentar a exposição Autobiografia de um fio, com trabalhos inéditos e recentes de Sheila Hicks (Hastings, Nebraska, 1934), um dos grandes nomes da arte contemporânea internacional, expoente e pioneira da arte têxtil. A curadoria é de Luis Pérez-Oramas, diretor artístico da Nara Roesler, que mantém contato com a artista desde 2012, quando a convidou entre os artistas da 30ª Bienal de São Paulo. Na ocasião, primeira mostra de Hicks no Brasil, a artista ocupou uma área de aproximadamente 400 metros quadrados com um extenso conjunto de obras de diferentes períodos, documentos pessoais e uma intervenção site specific.
Com obras presentes nos acervos dos principais museus do mundo, Sheila Hicks há mais de seis décadas é expoente da arte têxtil. Sua prática expande as possibilidades do fio e da fibra, articulando abstração, cor, escultura, pintura e arquitetura. Nascida em 1934, em Hastings (Nebraska, Estados Unidos) e residente em Paris desde 1964, Sheila Hicks tem produzido sua obra em diálogo permanente com diversas culturas, abraçando a dimensão global das tradições da arte têxtil no mundo, com estadas significativas na Ásia, África e América Latina desde os anos 1950. “Sheila Hicks foi a primeira artista têxtil inteiramente global, antes mesmo da criação deste termo. É a primeira artista que pesquisou tecidos nos cinco continentes, tendo consciência de todas as linguagens, ancestrais e contemporâneas, da arte têxtil. Isso não é pouca coisa, é algo enorme”, afirma Pérez-Oramas.
Simultaneamente, o Instituto Tomie Ohtake fará a mostra monumental “O que que é isso?” em torno da obra de Sheila Hicks, com um recorte histórico sobre a trajetória da artista e suas relações com a arte pré-colombiana e com a América Latina. A curadoria é de Ana Roman, Luis Pérez-Oramas e Paulo Miyada. As exposições serão acompanhadas por uma publicação conjunta do Instituto Tomie Ohtake e da Nara Roesler Books.
Luis Pérez-Oramas, diretor artístico da Nara Roesler, e responsável pela primeira apresentação dos trabalhos de Sheila Hicks no Brasil, na 30ª Bienal de São Paulo, em 2012, traz novamente ao país o trabalho da grande artista, na primeira individual dela numa galeria brasileira. Ele selecionou mais de vinte obras recentes e inéditas, produzidas desde 2017, que mostram ao público as diferentes tipologias de sua produção.
A exposição individual de Sheila Hicks na Nara Roesler São Paulo estava inicialmente prevista para 2020, mas o projeto foi interrompido pela pandemia. Em 2025, ao mesmo tempo em que Nara Roesler retomava esta ideia, Paulo Miyada – então diretor artístico do Instituto Tomie Ohtake – e Ana Roman decidiram convidar Sheila Hicks para realizar uma exposição. A coincidência dos calendários, a brecha na supersolicitada agenda da artista e a relação histórica entre as duas instituições – marcada também pela amizade entre Tomie Ohtake e Nara Roesler – tornaram o momento especialmente propício para articular as duas mostras. Assim, foi possível reunir esforços em torno de dois projetos autônomos, cada um concebido a partir de um recorte curatorial próprio, ao mesmo tempo em que se oferece ao público dimensões complementares da produção de Sheila Hicks.
As duas mostras consagradas a Hicks no Brasil fecham um circuito de exposições na América Latina iniciado no Museo Amparo (Puebla, México, 2017) e continuado no Museo Precolombino (Santiago do Chile, 2019), representando com sua presença em São Paulo um grande retorno às fontes históricas do seu trabalho como artista têxtil.
“A América Latina está inscrita no DNA originário da obra de Sheila Hicks”, diz Pérez-Oramas. Desde sua formação em Yale, Hicks foi profundamente marcada pelos ensinamentos do historiador da arte pré-colombiana George Kubler (1912–1996) e a leitura do clássico livro de Raoul d’Harcourt sobre a arte têxtil do Peru ancestral, que a introduziu às culturas do fio e da tecelagem na América Latina. Hicks recebe em Yale o legado moderno da Bauhaus através do seu professor Josef Albers (1888-1976) – quem a enviou ao Chile, em 1957, para ministrar aulas em seu lugar, ocasião da primeira viagem iniciática da artista pela Venezuela, Colômbia, Peru e Chile.
Foi no Chile, em parceria com o grande fotógrafo Sergio Larrain (1931-2012) que Sheila Hicks realizou sua primeira exposição institucional, como pintora, no Palácio de Belas Artes, em Santiago. “Em Caracas, ela se vinculou a republicanos espanhóis que conspiravam para derrubar a ditadura de Marcos Pérez Jiménez, mas também com artistas venezuelanos fundamentais, como Alejandro Otero e Gego. Ela visitou as obras em andamento da Cidade Universitária de Caracas junto ao arquiteto Carlos Raúl Villanueva, o Niemeyer da Venezuela”.
“Depois, Sheila viveu no México, onde trabalhou como fotógrafa e compartilhou amizade e cumplicidade com figuras fundamentais da arte e arquitetura hispano-americana: Félix Candela, Luis Barragán, Ricardo Legorreta, Mathias Goeritz, Manuel Álvarez Bravo, Leonora Carrington, entre outros”, relata Pérez-Oramas.