Um dos nomes mais reconhecidos da arte contemporânea, Daniel Senise volta a realizar uma exposição individual no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, após 32 anos. Em “Os dois lados da janela”, com curadoria de Pollyana Quintella, o público verá mais de 60 trabalhos que abrangem a produção do artista dos anos 2000 ao momento presente, incluindo obras inéditas.
As obras ocuparão todas as salas do primeiro andar do Paço, agrupadas “por afinidade”, e não necessariamente por séries ou ordem cronológica, como conta Daniel Senise, que participou intensamente de todo o processo de montagem da exposição e estará presente na abertura.
Esta é uma oportunidade rara para o público mergulhar no universo dos últimos 26 anos do artista carioca, radicado em São Paulo desde 2022. Entre os trabalhos inéditos estão quatro criados este ano, além de outros quatro que nunca saíram de seu ateliê, produzidos entre 2024 e 2026. Estão presentes obras de várias de suas séries conhecidas, como “Museus e galerias”, “Livros”, “Prodrome” e “Biógrafo”, esta última apresentada pela primeira vez em conjunto, com dez trabalhos.
O Paço Imperial tem o prazer de convidar para a abertura da exposição “Os dois lados da janela”, no dia 4 de julho de 2026, a partir das 11h. Com mais de 60 obras de Daniel Senise, a mostra abrange sua produção desde 2000 até o presente. A curadoria é de Pollyana Quintella, que destaca que a exposição oferece ao público a oportunidade de acompanhar os desdobramentos recentes da trajetória do artista, “através de uma articulação que privilegia aproximações não cronológicas, evidenciando recorrências e deslocamentos no interior de sua produção”. Os trabalhos expostos pertencem à coleção do artista e a coleções particulares.
Artista de vasta produção, Daniel Senise afirma apreciar a proposta desta exposição, em que estão reunidos trabalhos diversos daqueles que se costuma identificar imediatamente como sendo seus. Reconhecido pelo uso de capturas de superfícies na realização de suas obras, a mostra também apresenta trabalhos que utilizam outros materiais e técnicas, como aquarelas, fotografias e objetos, ampliando a percepção de sua prática.
O artista ressalta que considera o primeiro andar do Paço Imperial, ocupado integralmente pela exposição, um espaço ideal para apresentar um panorama de sua obra. As salas evidenciam desdobramentos e afinidades, criando relações entre obras de períodos e materiais distintos. Senise destaca que o início do percurso, na Antessala Gomes Freire, “é como se fosse uma síntese da exposição, do que aconteceu nos últimos 26 anos”.
As obras ali apresentadas são a monotipia ou coleta de parede, pesquisa que notabiliza o trabalho do artista, “Sem título (Guggenheim Museum)”, de 2022, com 150 x 300 cm, e “Lucrécia”, de 2026, com 200 x 125 cm, em tinta acrílica e tinta metálica sobre tecido. A obra faz referência a Lucrécia Borgia (1480–1519), “personagem extensivamente representada em pinturas desde o século 16”, observa o artista. “Nessa tela vemos uma imagem constituída por marcas e intervenções aparentemente aleatórias, enquadrada como uma obra em um espaço supostamente museológico”, diz.
Ao longo da exposição, o público verá também uma série de pequenas pinturas, as “pinturinhas” de Daniel Senise, experiências realizadas em seu ateliê, além de textos de Pollyana Quintella, as “legendas expandidas”, que comentam algumas obras ou o conjunto de cada ambiente.