rosaluna

fundación cervieri monsuarez, uruguai
23.8 - 23.11.2026

Rosa Luna é um projeto site-specific concebido pela artista brasileira Mônica Ventura (São Paulo, 1985) para a Fundación Cervieri Monsuárez. Tendo como ponto de partida a figura de Rosa Amelia Luna (Montevidéu, 1937–Toronto, 1993), performer icônica do Carnaval uruguaio e figura central da cultura afro-uruguaia, a exposição reflete sobre memória, resistência e o papel das mulheres negras na construção da identidade cultural do Uruguai.

 

A exposição é fruto de uma pesquisa realizada por Ventura durante suas visitas ao Uruguai sobre a história da diáspora africana, o conventillo Medio Mundo e as formas pelas quais as comunidades afrodescendentes preservaram seus conhecimentos ao longo das gerações. A partir dessa investigação, Rosa Luna emerge como símbolo de pertencimento, continuidade e resistência.

 

Com base nessa pesquisa, Ventura transforma materiais associados à arquitetura vernacular, como tijolo, argila e sistemas construtivos modulares, em formas escultóricas. Em diálogo com as ideias do engenheiro Eladio Dieste, desenvolve uma linguagem visual que conecta corpo e arquitetura, materialidade e memória. Essas instalações, que a artista denomina “corpo-arquiteturas”, reimaginam a construção como um ato de cuidado, espiritualidade e transmissão cultural.

 

Os pilares que estruturam a exposição representam mulheres que sustentam comunidades, histórias e modos de vida. Sobre eles repousam cabaças confeccionadas em diferentes materiais, elemento presente em diversas cosmologias afro-indígenas que aparece aqui como recipiente de vida, memória e conhecimento ancestral.

 

A exposição também inclui uma instalação em vídeo realizada em colaboração com a Hermosa Intervención, coletivo afro-uruguaio de mulheres e dissidentes afro-indígenas, com a participação da cantora, ativista e liderança afro-uruguaia Chabela Ramírez. Concebida como um espaço de encontro entre a artista e a comunidade afro local, a obra reúne canto, dança e criação coletiva para ativar memórias compartilhadas e promover um diálogo entre as experiências das diásporas africanas no Brasil e no Uruguai.