alice miceli
flautista (7.918 frames), 2013
vídeo projeção, p&b, com som
4’24”

Alice Miceli tem na câmera a principal ferramenta de sua produção artística. Interessada, segundo o curador Agnaldo Farias, “na ideia de que o colapso das representações é responsável pelo colapso da realidade”, ela parte em viagens investigativas, no mais das vezes  voltadas a pesquisas históricas, para mapear as manifestações virtuais, físicas e culturais dos traumas infligidos nas paisagens sociais e naturais.

 

A fim de criar documentos fotográficos alternativos sobre questões sociopolíticas extremas, a artista tem explorado locais diversos, como a Prisão S21, no Camboja, e a Zona de Exclusão de Chernobyl, nos quais desenvolve novas técnicas para seus projetos, inspiradas na especificidade de cada lugar. Um exemplo é a utilização, em Chernobyl, de um tipo de filme sensível à radiação. Desse modo, o passado investigado por Miceli não aparece só como memória, mas como resíduo físico impregnado na imagem fotográfica.

 

Sua mais recente pesquisa concentra-se nas minas terrestres deixadas em áreas pós-conflito e reflete sobre a contradição entre a invisibilidade e a violência desses dispositivos. Aqui, partindo mais uma vez das especificidades físicas e culturais de cada um desses lugares, Miceli investiga as possibilidades de representação das consequências atrozes deixadas por guerras e tragédiasnessas regiões. . Nessa série, ainda, a artista nos lembra de que a mudança de perspectiva, de posição em relação ao objeto observado, muda tudo, figurativa e literalmente.

 

Alice Miceli nasceu no Rio de Janeiro, em 1980, cidade onde vive e trabalha atualmente. Suas mostras individuais mais recentes são: Projeto Chernobyl, no The Americas Society / Council of the Americas (AS/COA) (2019), em Nova York, Estados Unidos; Em profundidade (campos-minados), no Instituto PIPA, na Villa Aymoré (2019), no Rio de Janeiro, Brasil; 88 from 14,000, na Max Protetch Gallery (2011), em Nova York, Estados Unidos. Participou da 5th Moscow International Biennale for Young Art – Deep Inside, Rússia (2016); e das mostras coletivas: A intenção e o gesto, 6º Prêmio CNI SESI SENAI Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas, no Museu de Arte Contemporânea de Goiás (MAC-Goiás), em Goiânia; no Museu da Indústria, em Fortaleza; no Museu Histórico Nacional (MHN), no Rio de Janeiro; no Santander Cultural, em Porto Alegre, Brasil (2018); The Materiality of the Invisible, na Jan van Eyck Academieplein (2017), em Maastricht, Países Baixos; Diante do desconhecido: O Outro, na Galeria de Arte Solar (2017), no Rio de Janeiro, Brasil; e Memory Leak: Views from Between Archiving and Memory, no La Capella (2015), em Barcelona, Espanha. Suas obras integram coleções de diversas instituições, tais como: Associação Cultural Videobrasil, São Paulo, Brasil; Cisneros Fontanals Art Foundation (CIFO), Miami, Estados Unidos; Moscow Biennale Art Foundation, Moscou, Russia; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro, Brasil.

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