julio le parc
modulación 1116, 2003 / 2013
acrílica sobre tela
200 x 200 cm

Julio Le Parc é reconhecido internacionalmente como um dos principais nomes da arte óptica e cinética. Ao longo de seis décadas, ele realizou experiências inovadoras com luz, movimento e cor, buscando promover novas  relações entre arte e sociedade a partir de uma perspectiva utópica. Suas telas, esculturas e instalações abordam questões relativas aos limites da pintura a partir de procedimentos que se aproximam da tradição pictórica na história da arte, como o uso de acrílico sobre tela, ao mesmo tempo que investigam potencialidades cinéticas em assemblages, instalações e aparelhos máquinicos que exploram o movimento real e a atuação da luz no espaço.

 

Pioneiro do gênero óptico e cinético, Julio Le Parc foi co-fundador do Groupe de Recherche d'Art Visuel (1960-68), um coletivo de artistas que se propunha a incentivar a interação do público com a obra, a fim de aprimorar suas capacidades de percepção e ação. De acordo com essas premissas, somadas à aspiração bastante disseminada na época de uma arte desmaterializada, indiferente às demandas do mercado, o grupo se apresentava em locais alternativos e até na rua. As obras e instalações de Julio Le Parc, feitas com nada além da interação entre luz e sombra, são resultado direto desse contexto, no qual a produção de uma arte fugaz e não vendável assumia claro tom sociopolítico.

 

Nascido em 1928, em Mendoza, Argentina, Julio Le Parc vive e trabalha em Paris. Exposições individuais recentes incluem: Julio Le Parc: Un Visionario, no Centro Cultural Néstor Kirchner (2019), em Buenos Aires, Argentina; Julio Le Parc 1959, no The Metropolitan Museum of Art (The Met Breuer) (2018), em Nova York, EUA; Julio Le Parc: da forma à ação, no Instituto Tomie Ohtake (ITO) (2017), em São Paulo, Brasil; Julio Le Parc: Form into Action, no Perez Art Museum (2016), em Miami, EUA. Seus trabalhos figuraram, recentemente, nas seguintes exposições coletivas: Action <-> Reaction: 100 Years of Kinetic Art, no Kunsthal Rotterdam (2018), em Rotterdam, Países Baixos; The Other Trans-Atlantic: Kinetic & Op Art in Central & Eastern Europe and LatinAmerica 1950s-1970s, no Garage Museum of Contemporary Art (2018), em Moscou, Rússia, no Sesc Pinheiros (2018), em São Paulo, Brasil, e no Museum of Modern Art (2017), em Varsóvia, Polônia; Kinesthesia: Latin American Kinetic Art, 1954-1969, II Pacific Standard Time: LA/LA (II PST: LA/LA), no Palm Springs Art Museum (PSAM) (2017), em Palm Springs, EUA; Retrospect: Kinetika 1967, no Belvedere Museum (2016), em Viena, Áustria; The Illusive Eye, no El Museo del Barrio (2016), em Nova York, EUA. Seus trabalhos fazem parte de importante coleções, tais como: Daros Collection, Zurique, Suíça; Los Angeles County Museum of Art, Los Angeles, Estados Unidos; Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris, Paris, França, e The Museum of Modern Art (MoMA), Nova York, Estados Unidos; entre outras.

Exposições

Notícias

Press

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    Celina Chatruc, La Nacion 22.9.2019
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    como en los 50, un "joven" julio le parc revive en el museo nacional de bellas artes

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    Edwin Heathcote, Financial Times 7.1.2015
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    Marcos Álvarez, Los Andes 20.11.2014
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    Frank Expósito, ArtForum 14.2.2014
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    Élisabeth Vedrenne, Counnaissance des Arts 4.4.2013
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    Anael Pigeat, Art Press 1.4.2013
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    Quotidien de L'Art 25.2.2013
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    Bernard Genies, Le Nouvel Observateur 21.2.2013
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    Valérie Duponchelle, Le Figaroscope 13.2.2013
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    Emmanuelle Lequeux, Beaux Arts 17.1.2013
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    Marcela Costa Peuser e Laura Batkis, Arte Al Día Internacional 3.3.2006
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    Adriana Fernandes Farias, Gazeta Mercantil 7.5.2001
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    Fabio Cypriano, Ilustrada 7.5.2001
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    políticas visuais de um militante

    Gilberto de Abreu, Jornal do Brasil 6.5.2001

Texto Crítico

  • “Quem pode se interessar pelo que algumas crianças pensam sobre uma exposição?”[1]

    Rodrigo Moura
    A resposta a essa pergunta tem o nome de seu formulador: Julio Le Parc. Desde que sua obra surgiu no meio da arte internacional, no fim dos anos 1950, em Paris, Le Parc é defensor de uma espécie de democracia nas artes. Como forma de aplicar sua formação marxista, com seus valores pró-participação e pró-emancipação, ele pensa que, na arte como na política, todo poder emana do povo e em seu nome será exercido. E nesse sentido, ninguém melhor do que as crianças para se afetarem, opinarem e fazerem a roda do tempo girar. “É proibido não participar. É proibido não tocar. É proibido não quebrar.” Assim proclamava o pioneiro manifesto do GRAV (Groupe de Récherche d’Art Visuel), em outubro 1963[2] . Neste credo, um tanto idealista, a arte tem a capacidade de ativar o potencial libertário de cada um de nós por simplesmente despertar nossas faculdades perceptivas. A pura forma se torna assim política, e faz emergir com força a noção de espectador, como êmulo do eleitorado...