julio le parc
modulación 1116, 2003 / 2013
acrílica sobre tela
200 x 200 cm
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Julio Le Parc (n. 1928, Mendoza, Argentina) vive e trabalha em Paris, França. Le Parc frequentou  a Escuela de Bellas Artes em Buenos Aires em 1943 onde inicialmente se interessou pela Arte Concreto-Invencion e pelo movimento Spaziliasmo. Em 1958, Le Parc foi para Paris com uma bolsa de estudos do governo francês e instalou-se lá trabalhando em obras de arte relacionadas a pesquisa  das três dimensões, o movimento e a luz, referentes às artes cinéticas. A exposição de Victor Vasarely, em Buenos Aires, em 1958, tornou-se um catalisador importante para a sua carreira, enquanto em Paris Le Parc prosseguiu o trabalho colaborativo com colegas amigos de Vasarely e estudou os escritos de Mondrian, evoluindo para refletir sobre a tradição do Construtivismo.
Le Parc representou a Argentina na Bienal de Veneza em 1966, ganhou o Grande Prêmio Internacional de Pintura como artista individual. Le Parc começou a trabalhar em composições bidimensionais em cores e preto e branco já em 1953, enquanto ainda era professor de arte em Buenos Aires.
A partir de 1960, no entanto, começou a desenvolver uma série de obras distintivas que utilizavam a luz “leitosa”: esses objetos, geralmente construídos com uma fonte lateral de luz branca que era refletida e quebrada por superfícies metálicas polidas, combinavam um alto grau de intensidade com uma expressão sutil de movimento contínuo.

As obras de Le Parc foram tema de inúmeras exposições individuais na Europa e na América Latina, incluindo o Instituto di Tella (Buenos Aires), Museo de Arte Moderno (Caracas), Palacio de Bellas Artes (Mexico), Casa de las Americas (Havana), Moderna Museet (Estocolmo), Daros (Zurique), Städtische Kunsthalle (Düsseldorf). As obras de Le Parc também foram incluídas em diversas exposições coletivas e bienais, incluindo a exposição polêmica do MoMA, The Responsive Eye (1965), a Bienal de Veneza em 1966 (onde recebeu o Prêmio) e a Bienal de São Paulo (1967). Como ato de protesto contra o regime militar repressivo no Brasil, ele se juntou a artistas no boicote da Bienal de São Paulo em 1969 e publicou um catálogo alternativo de Contrabienal em 1971. As obras coletivas posteriores de Le Parc incluem a participação em movimentos antifascistas no Chile, El Salvador e Nicarágua. Recentemente, ele tem sido objeto de grandes retrospectivas, incluindo Julio Le Parc (Serpentine Gallery, Londres, Reino Unido, 2014); Soleil froid (Palais de Tokyo, Paris, França); Le Parc lumière (Casa Daros, Rio de Janeiro, Brasil, 2013; MALBA, Buenos Aires, Argentina, 2014); Uma busca constante (Galeria Nara Roesler, São Paulo, Brasil, 2013); e da exposição de grupo Dynamo (Grand Palais, Paris, França, 2013). 

Exposições

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Texto Crítico

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  • “Quem pode se interessar pelo que algumas crianças pensam sobre uma exposição?”[1]

    Rodrigo Moura
    A resposta a essa pergunta tem o nome de seu formulador: Julio Le Parc. Desde que sua obra surgiu no meio da arte internacional, no fim dos anos 1950, em Paris, Le Parc é defensor de uma espécie de democracia nas artes. Como forma de aplicar sua formação marxista, com seus valores pró-participação e pró-emancipação, ele pensa que, na arte como na política, todo poder emana do povo e em seu nome será exercido. E nesse sentido, ninguém melhor do que as crianças para se afetarem, opinarem e fazerem a roda do tempo girar. “É proibido não participar. É proibido não tocar. É proibido não quebrar.” Assim proclamava o pioneiro manifesto do GRAV (Groupe de Récherche d’Art Visuel), em outubro 1963[2] . Neste credo, um tanto idealista, a arte tem a capacidade de ativar o potencial libertário de cada um de nós por simplesmente despertar nossas faculdades perceptivas. A pura forma se torna assim política, e faz emergir com força a noção de espectador, como êmulo do eleitorado...