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A exposição coletiva Rasura, com curadoria de Victor Gorgulho, apresentada na Nara Roesler Rio de Janeiro, reúne obras de artistas de diferentes gerações e origens, incluindo artistas representados pela galeria e convidados especialmente para a mostra. A proposta curatorial se estrutura a partir de uma investigação sobre a fatura da obra de arte, enfatizando procedimentos que revelam dimensões associadas à rasura, ao apagamento, à subtração e à escavação.

 

O conceito é lido, na mostra, de maneira expandida: obras em suportes variados revelam distintas relações entre os artistas e suas obras. Ora estamos diante de ímpetos de rasurar, de maneira mais ou menos intensa, telas, por exemplo; ora nos deparamos com a polidez de pinturas que, se vistas atentamente, revelam o apagamento e a subtração como formas de operar dentro da prática de seus autores.


Se na década de 1960 a obra de nomes como o do norte-americano Cy Twombly acabaram por edificar um extenso e complexo campo criativo em que a investigação em torno da linha, do uso da caligrafia e da escrita sobre a tela – desafiando o binarismo que separa abstração e figuração –, aqui reunimos trabalhos de dezoito artistas brasileiros cujas distintas produções nos conduzem a refletir acerca da dimensão formal, psíquica, política e, evidentemente, artística, que o gesto de rasurar, em suas múltiplas possibilidades, pode conter.