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A Nara Roesler Rio de Janeiro tem o prazer de apresentar Um rio em mim, individual da artista Manoela Medeiros, que conta  com trabalhos inéditos desenvolvidos especialmente para a  exposição. Em seu trabalho, a artista articula uma abordagem  da pintura que ultrapassa a especificidade de seu próprio meio,  utilizando recursos da escultura, da performance e da instalação.  Nessa perspectiva híbrida do pictórico, Medeiros interroga os  meios artísticos além de seus formatos convencionais, onde  pinturas e instalações in situ servem para explorar as relações  entre espaço, tempo e a corporeidade da arte e do espectador.  Intervindo muitas vezes de maneira direta nos espaços  expositivos, Medeiros concebe suas obras a partir de detalhes do  lugar, sejam eles materiais, elementos estruturais ou até mesmo  sua relação com a iluminação, natural e artificial. Sua prática  introduz no espaço uma organicidade ao expor suas entranhas, ou estruturas, fazendo da arquitetura não apenas uma estrutura,  mas um corpo específico em si mesmo na experiência da arte.  

Para a artista, tanto as paredes como as suas pinturas são  como um “repositório de sedimentos arquitetônicos”. Parte de  seu gesto consiste em subtrair camadas sobrepostas, criando  composições “a partir da retirada de material que antes cobria  a superfície da obra”. “A arqueologia não é vista como um tema,  mas como um método de trabalho”, explica. Medeiros escava  as superfícies de suas pinturas – e muitas vezes também as  paredes do espaço expositivo –, “revelando as camadas de  cores e materiais utilizados, recobertos e, assim, esquecidos  ao longo do tempo”. Desse modo, opera em um “espaço liminar  entre a construção e a destruição com um gesto que beira o de  um pintor-pedreiro-arqueólogo”.

 

Manoela Medeiros ressalta que a mostra na Nara Roesler Rio  de Janeiro: “foi a primeira vez em que o processo de criação  aconteceu de forma bastante orgânica e livre”. “Dessa vez,foi  o processo no ateliê que ditou mais as obras da exposição. Fui  fazendo livremente, principalmente pinturas escavadas, e a  partir delas formando um conjunto e sua conversa”.