abraham palatnik
objeto cinético ck-8 , 1966 / 2005
aço, latão, madeira pintada e motores
120 x 40 x 40 cm
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Abraham Palatnik é figura seminal da arte cinética e óptica no Brasil. Seu foco de interesse está na tecnologia, no estudo do movimento e da luz, instâncias responsáveis pelos resultados funcionais, lúdicos e poéticos que tornaram seu trabalho conhecido ao longo de sete décadas de produção. Destacou-se no cenário artístico a partir da criação de seu primeiro Aparelho Cinecromático (1949), peça em que procurou reinventar a prática da pintura por meio de jogos de luz e fazendo uso de um aparato tecnológico que criava imagens caleidoscópicas na tela. Exibida na 1ª Bienal de São Paulo (1951), sua instalação de luz não participou da competição pelo prêmio principal por não se enquadrar em nenhuma das categorias artísticas existentes na época, mas recebeu Menção Honrosa do júri internacional por sua originalidade.

 

Palatnik tem controle sobre toda a produção de suas peças, o que denota menos uma visão artesanal da tecnologia do que uma disponibilidade para a experimentação e para o desafio produtivo. Ao contrário da fascinação de parte da arte contemporânea pelas novas mídias, o artista concentrou-se desde o início da carreira nas possibilidades das máquinas e seus processos, evocando uma relação própria entre arte e tecnologia.

 

Suas séries de progressões e relevos iniciadas posteriormente em materiais diversos, como madeira, cartão duplex ou acrílico, também resguardam o interesse do artista pelos efeitos cinéticos e ópticos, obtidos através de meticulosos processos manuais. O resultado são composições abstratas marcadas pelo padrão rítmico, remetendo a movimentos irregulares. Embora para a conhecida série W o artista tenha incorporado o corte a laser feito por uma empresa especializada, Palatnik continua ordenando artesanalmente cada peça até hoje, cortada e pintada a fim de compor os quadros finais.


Abraham Palatnik nasceu em Natal, Brasil, em 1928 e vive e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil. Participou de diversas exposições no Brasil e no exterior, incluindo oito edições da Bienal de São Paulo, Brasil (1951-1969), e a 32ª La Biennale di Venezia, Itália (1964). Recentemente, realizou a importante retrospectiva Abraham Palatnik - A Reinvenção da Pintura, com itinerância por importantes instituições brasileiras como: Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB-RJ), Rio de Janeiro, 2017; Fundação Iberê Camargo (FIC), Porto Alegre, 2015; Museu Oscar Niemeyer (MON), Curitiba, 2014; Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo, 2014; e Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB-DF), Brasília/DF, 2013. Principais coletivas recentes incluem: The Other Trans-Atlantic: Kinetic & Op Art in Central & Eastern Europe and Latin America 1950s - 1970s, com itinerância por Sesc Pinheiros, São Paulo, Brasil, 2018, Garage Museum of Contemporary Art, Moscou, Rússia, 2018, e Museum of Modern Art in Warsaw, Varsóvia, Polônia, 2017-18; Delirious: Art at the Limits of Reason, 1950 - 1980, The Metropolitan Museum of Art (The Met Breuer), Nova York, EUA, 2018; e Kinesthesia: Latin American Kinetic Art 1954-1969, Palm Springs Art Museum (PSAM), Palm Springs, EUA, 2017-18. Possui obras em importantes coleções institucionais, como: Itaú Cultural, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo, Brasil; Royal Museums of Fine Arts of Belgium, Bruxelas, Bélgica; The Adolpho Leirner Collection of Brazilian Constructive Art – Museum of Fine Arts Houston (MFAH), Houston, EUA; e The Museum of Modern Art (MoMA), Nova York, EUA.

 

Exposições

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