A Nara Roesler Rio de Janeiro apresenta As formas do tempo, exposição coletiva com curadoria de Bernardo Mosqueira e Ana Clara Simões Lopes como curadora assistente. A mostra integra o ciclo de celebrações dos 50 anos de atuação de Nara Roesler como galerista, trajetória iniciada em 1976, no Recife, e que, ao longo das décadas, se expandiu para São Paulo, Rio de Janeiro e, em 2015, para Nova York, quando se tornou a primeira galeria brasileira a abrir um espaço na cidade. Convidado a realizar uma mostra que celebrasse a trajetória e sua relação com o território do Rio de Janeiro, o curador partiu da dimensão reflexiva própria dos aniversários para pensar, com as obras de arte, diferentes formas de compreender as relações entre ser, tempo e mistério. “É algo de fato muito extraordinário, ainda mais se pensarmos como tudo se transformou nesses últimos 50 anos.” “Não há como separar a história recente da arte brasileira da história da Nara”, afirma o curador.
Partindo do Rio de Janeiro como território comum, a terceira mostra realizada nas sedes da Nara Roesler reúne pinturas, esculturas, vídeos, fotografias e instalações articuladas em torno de múltiplas noções de tempo. “No espaço, essas categorias e questionamentos se atravessam por meio dos gestos conceituais, formais, narrativos e poéticos propostos pelos artistas e por seus trabalhos. Enquanto algumas obras levantam questões relativas à ancestralidade, às memórias da ditadura militar e às transformações ecológicas, outras refletem sobre o próprio papel da imagem diante do tempo, sobre a finitude dos nossos corpos ou sobre como as obras de arte nos sobrevivem e contradizem”, afirma Bernardo Mosqueira.
Além de reunir obras de 17 artistas representados pela galeria, nascidos no Rio de Janeiro ou que escolheram a cidade como lugar de morada e trabalho (como Antonio Dias, Brígida Baltar, Carlito Carvalhosa, Daniel Senise, Elian Almeida, Hélio Oiticica, Raul Mourão, Marcos Chaves, Maria Klabin, Vik Muniz, entre outros), Bernardo Mosqueira convidou também cinco jovens artistas sem representação comercial para participarem da mostra. “Como é uma mostra sobre o tempo, mas em que também refletimos sobre a trajetória da Nara, para nós foi importante trazer não apenas obras desses artistas absolutamente consagrados de seu time, mas também abrir uma pequena passagem para o que ainda virá: apresentando e representando, neste pacto com o tempo, caminhos para as artistas que ainda terão relação com a galeria. Além da força de suas práticas serem bastante complementares para o time de artistas apresentados, suas ideias sobre o tempo são grandes contribuições para nossa reflexão”, afirma o curador.
Os artistas participantes representados pela galeria são Abraham Palatnik (1928, Natal – 2020, Rio de Janeiro), Alice Miceli (1980, Rio de Janeiro), Angelo Venosa (1954, São Paulo – 2022, Rio de Janeiro), André Griffo (1979, Barra Mansa, Rio de Janeiro; vive no Rio de Janeiro), Antonio Dias (1944, Campina Grande, Paraíba – 2018, Rio de Janeiro), Brígida Baltar (1959 – 2022, Rio de Janeiro), Carlito Carvalhosa (1961 – 2021, São Paulo), Cristina Canale (1961, Rio de Janeiro), Daniel Senise (1955, Rio de Janeiro), Elian Almeida (1994, Rio de Janeiro), Manoela Medeiros (1991, Rio de Janeiro), Marcos Chaves (1961, Rio de Janeiro), Maria Klabin (1978, Rio de Janeiro), Milton Machado (1947, Rio de Janeiro), Raul Mourão (1967, Rio de Janeiro) e Vik Muniz (1961, São Paulo; vive no Rio de Janeiro).
As formas do tempo contará também com trabalhos de Hélio Oiticica (1937–1980, Rio de Janeiro), cujo legado foi representado pela galeria entre 2005 e 2019, além das artistas convidadas Marcelle Nascimento (1999, Belém; vive no Rio de Janeiro), Guilhermina Augusti (1996, São Paulo; vive no Rio de Janeiro), Ana das Neves (2000, Rio de Janeiro), Mayra Carvalho (1997, Baixada Fluminense) e Fátima Aguiar (1991, Rio de Janeiro).