carlito carvalhosa
Sem Título, 2019
tinta óleo e cera sobre madeira
7 partes de 50 x 40 cm (cada

 A obra de Carlito Carvalhosa envolve, predominantemente, pintura e escultura. Nos anos 1980, integrou, com Rodrigo Andrade, Fábio Miguez, Nuno Ramos e Paulo Monteiro, o Grupo Casa 7, de São Paulo. As tendências do neoexpressionismo eram visíveis na produção desses artistas, tendo em vista a utilização de superfícies de grandes dimensões e a ênfase no gesto pictórico. No fim dessa década, após a dissolução do grupo e alguns experimentos com encáustica, Carvalhosa concebeu quadros com cera pura ou misturada a pigmentos. Nos anos 1990, dedicou-se à produção de esculturas de aparência orgânica e maleável, utilizando materiais diversos, caso das “ceras perdidas”. Ainda em meados dessa década, fez também as esculturas em porcelana.

 

Carvalhosa atribui profunda eloquência à materialidade do suporte, mas a transcende e aborda questões mais amplas, relativas às transformações do espaço e do tempo. Deparamo-nos, em sua prática, com a tensão entre forma e matéria, explicitada na disjunção entre o visível e o tátil. Aquilo que vemos não é o que tocamos, assim como o que se toca não é o que se vê. Desde o início dos anos 2000, o artista tem realizado pinturas sobre superfícies espelhadas que, nas palavras  do curador Paulo Venâncio Filho, “colocam nossa presença dentro delas”. Não raro, Carvalhosa realiza instalações em que, além das técnicas usuais, utiliza materiais como tecidos e lâmpadas.

 

Nascido em São Paulo em 1961, Carlito Carvalhosa vive e trabalha no Rio de Janeiro. Suas principais exposições individuais recentes são: O comércio das coisas, na Silvia Cintra + Box 4 (2019), no Rio de Janeiro, Brasil; Faço tudo para não fazer nada, na Galeria Nara Roesler (2017), em São Paulo, Brasil; Possibility Matters, na Sonnabend Gallery (2014), em Nova York, EUA, e Carlito Carvalhosa, na Kukje Gallery (2013), em Seul, Coréia do Sul. Entre suas exposições coletivas recentes estão: Passado/futuro/presente: arte contemporânea brasileira no acervo do MAM, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) (2019), em São Paulo, Brasil, e no Phoenix Art Museum (2017), em Phoenix, Estados Unidos; Troposphere – Chinese and Brazilian Contemporary Art, no Beijing Minsheng Art Museum (2017), em Beijing, China; Everything You Are, I Am Not: Latin American Contemporary Art From Tiroche Deleon Collection, na Mana Contemporary (2016), em Jersey City, Estados Unidos; 30 x Bienal, Fundação Bienal de São Paulo (2013), São Paulo, Brasil; 11ª Bienal de Havana, Cuba (2011). Suas obras fazem parte de importantes coleções, tais como: Cisneros Fontanals Art Foundation (CIFO), Miami, EUA; Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro, Brasil; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil.

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    cynthia garcia, Newcity Brasil 10.12.2019