berna reale
sobremesa # 4, 2018
impressão em papel de algodão sobre metacriláto
100 x 150 cm

Berna Reale é uma das artistas mulheres mais importantes no atual cenário contemporâneo do Brasil, sendo reconhecida internacionalmente como uma das principais expoentes da prática da performance no país. Trabalhando simultaneamente nos campos das artes visuais e da perícia criminal, sua produção artística em múltiplos suportes, composta por instalações, performances, fotografias e vídeos, é marcada pela abordagem crítica sobre os aspectos materiais e simbólicos da violência e os processos de silenciamento presentes nas mais diversas instâncias da sociedade.

 

Reale iniciou carreira artística no começo da década de 1990, logo se inserindo no universo da instalação, intervenção urbana e fotografia. Sua primeira instalação site-specific de maior impacto, Cerne (25º Salão Arte Pará, 2006), intervenção fotográfica realizada no Mercado de Carne do Complexo do Ver-o-Peso, tradicional ponto turístico e espaço comercial de Belém, conduziu a artista para o Centro de Perícias Renato Chaves, onde passou a trabalhar como perita a partir de 2010. Despertou também o seu interesse por incluir o próprio corpo como elemento estético central na construção da imagem e, consequentemente, pela prática da performance. A obra mais emblemática de sua carreira, Quando todos calam (Grande Prêmio do 28º Salão Arte Pará, 2009), igualmente realizada no Ver-o-Peso, resulta desse percurso. Centrada na prática da performance como forma de denúncia das situações de injustiça social desde então, Reale conquistou projeção nacional ao participar do “Rumos Artes Visuais 2011/2013”, Instituto Itaú Cultural, São Paulo (2012). Começou a trabalhar com vídeo em 2011, realizando nos anos seguintes diversas performances em vídeo e fotografia pelas quais é conhecida internacionalmente. Também foi uma das selecionadas pelo “Rumos Itaú Cultural 2013-2014”, São Paulo (2014), desenvolvendo o projeto Precisa-se do presente (2015) em cidades dos países que compõem o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Na mesma época, também se destacou como um dos três artistas representantes do Pavilhão do Brasil na 56ª La Biennale di Venezia (2015).

 

Nascida em Belém/PA, Brasil, em 1965, Berna Reale vive e trabalha em sua cidade natal. Formou-se em Artes Visuais pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Belém. Além da 56ª La Biennale di Venezia, vem participando de bienais como: 3ª Beijing Photo Biennial, Beijing, China (2018); 34º Panorama da Arte Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo/SP, Brasil (2015); 13ª Quadrienal de Praga (PQ’15 , 2015), Praga, República Checa (2015); 5ª Biennale de Liège (BIP de Liège), Liège, Bélgica (2006); e 13ª Bienal de Arte de Cerveira, Vila Nova de Cerveira, Portugal (2005). Exposicões recentes mais importantes incluem: Brasile. Il cotello nella carne, coletiva no Padiglione d’Arte Contemporanea Milano (PAC-Milano), Milão, Itália (2018); Video Art in Latin America, coletiva no LAXART, West Hollywood/LA, EUA, parte do II Pacific Standard Time: LA/LA (II PST: LA/LA, 2017); Vão, individual no Centro Cultural Banco do Brasil - São Paulo (CCBB-SP), São Paulo/SP, Brasil (2017); Deformation, Bergkirche, e  Berna Reale – Über uns / About Us, Kunsthaus, ambas individuais simultâneas em Wiesbaden/HE, Alemanha (2017); Berna Reale: Singing in the Rain, individual no Utah Museum of Contemporary Art (UMoCA), Salt Lake City/UT, EUA (2016); e Vazio de nós, individual no Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro/RJ, Brasil (2013). Recebeu as seguintes premiações: 5ª Prêmio Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas, Brasil (2015); Prêmio PIPA Online 2012, Rio de Janeiro/RJ, Brasil (2012); e Grande Prêmio do 28º Salão Arte Pará, Belém/PA, Brasil (2009); entre outras. Suas obras fazem parte de coleções institucionais como: Instituto Itaú Cultural, São Paulo/SP, Brazil; Kunsthaus Wiesbaden, Wiesbaden/HE, Alemanha; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), São Paulo/SP, Brasil; Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo/SP, Brasil; e Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro/RJ, Brasil.

Notícias

Press

  • forensic artist: the powerful performance art of crime scene investigator berna reale Download

    forensic artist: the powerful performance art of crime scene investigator berna reale

    Cynthia Garcia, New City Brasil 25.9.2018
  • Download

    "Vão"

    Bruno Yutaka Saito, Valor Econômico 11.8.2017
  • berna reale cria feminismo rosa-choque Download

    berna reale cria feminismo rosa-choque

    Silas Martí, Ilustrada 16.7.2017
  • berna reale enxuga gelo em individual no ccbb-sp Download

    berna reale enxuga gelo em individual no ccbb-sp

    Alessandro Giannini, O Globo 15.7.2017
  • agenda: individual de berna reale no CCBB é o destaque da semana em são paulo Download

    agenda: individual de berna reale no CCBB é o destaque da semana em são paulo

    Brasileiros 15.7.2017
  • berna reale, a simbiose entre a arte e a perícia criminal: “não sou de museu, gosto da rua” Download

    berna reale, a simbiose entre a arte e a perícia criminal: “não sou de museu, gosto da rua”

    Marina Rossi, El País 14.7.2017
  • o som do soco no ar Download

    o som do soco no ar

    Ana Abril, Select 12.7.2017
  • Video oediV review - where and what is video art in 2016? Download

    Video oediV review - where and what is video art in 2016?

    Andrew Frost, The Guardian 29.1.2016
  • berna reale fala do tema da violência em suas obras para o 34 Panorama do MAM Download

    berna reale fala do tema da violência em suas obras para o 34 Panorama do MAM

    Camila Molina, Estadão 13.10.2015
  • representante do brasil na 56 bienal de veneza, berna reale leva obras para as ruas Download

    representante do brasil na 56 bienal de veneza, berna reale leva obras para as ruas

    Camila Molina, O Estado de S. Paulo 28.4.2015

Canal

Texto Crítico

  • berna reale: gula

    agnaldo farias
    “E fomos educados para o medo. Cheiramos flores de medo.” O Medo – Carlos Drummond de Andrade Publicado em 1945, O Medo, poema de Drummond, traz como epígrafe uma frase de Antonio Cândido – “Porque há para todos nós um problema sério (...). Este problema é o do medo” –, excerto de um depoimento do grande intelectual feito sob o impacto da 2a . Guerra, do nazi-fascismo, da repressão do Estado Novo. Pois, de lá para cá, a situação piorou muito. Vivemos um clima de guerra civil, do que é prova a operação das Forças Armadas no Rio de Janeiro, nosso antigo cartão postal, hoje paisagem de apreensão e tristeza. Berna Reale aprofunda sua investigação sobre a violência, consciente de que ela, entre todas as mães do medo, é a maior e a mais direta. Suas performances, vídeos, fotografias e instalações tornaram-na conhecida nacional e internacionalmente. Tudo isso ao longo desta década, quando a artista, indiferente à celebração do país como BRICS, percebia que as coisas continuavam como...