berna reale
sobremesa # 4, 2018
impressão em papel de algodão sobre metacriláto
100 x 150 cm

Berna Reale é uma das artistas mais importantes no cenário brasileiro atual, sendo reconhecida como uma das principais expoentes da prática de performance no país. Reale iniciou sua carreira artística no começo da década de 1990. Seu primeiro trabalho de grande impacto, Cerne (25º Salão Arte Pará, 2006), intervenção fotográfica realizada no Mercado de Carne do Complexo do Ver-o-Peso, conduziu a artista ao Centro de Perícias Renato Chaves, onde passou a trabalhar como perita a partir de 2010.

 

Desde então, Reale tem explorado seu próprio corpo como elemento central da produção de suas performances, fotografias e vídeos. Seus trabalhos, marcados pela abordagem crítica aos aspectos materiais e simbólicos da violência e aos processos de silenciamento presentes nas mais diversas instâncias da sociedade, investigam a importância das imagens na manutenção de imaginários e ações brutais. A potência de sua produção reside na contraposição entre o desejo de aproximação e o sentimento de repulsa, ressaltando a ironia que resulta da combinação entre o fascínio e a aversão da sociedade pela violência. A fotografia, nesse contexto, desempenha um papel fundamental. Ela não é apenas o meio de registro de suas ações, capaz de perpetuá-las, mas um desdobramento de seu processo de criação.

 

Nascida em Belém do Pará, Brasil, em 1965, Berna Reale vive e trabalha em sua cidade natal. Algumas de suas exposicões individuais recentes incluem: While You Laugh, na Galeria Nara Roesler (2019), em Nova York, Estados Unidos; Festa, no Viaduto das Artes (2019), em Belo Horizonte, Brasil; Deformation, no Bergkirche (2017), e Berna Reale – Über uns / About Us, na Kunsthaus (2017), ambas em Wiesbaden, Alemanha; Berna Reale: Singing in the Rain, no Utah Museum of Contemporary Art (UMoCA) (2016), em Salt Lake City, Estados Unidos; Vazio de nós, no Museu de Arte do Rio (MAR) (2013), no Rio de Janeiro, Brasil. Entre mostras coletivas recentes, encontramos seus trabalhos na: 3ª Beijing Photo Biennial, China (2018); 56ª Bienal de Veneza, Itália (2015); além de Brasile. Il coltello nella carne, no Padiglione d’Arte Contemporanea Milano (PAC-Milano) (2018), em Milão, Itália; Video Art in Latin America, II Pacific Standard Time: LA/LA (II PST: LA/LA), no LAXART (2017), em Hollywood, Estados Unidos; Artistas comprometidos? Talvez, na Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) (2014), em Lisboa, Portugal. Suas obras fazem parte das coleções do: Instituto Itaú Cultural, São Paulo, Brasil; Kunsthaus Wiesbaden, Wiesbaden, Alemanha; Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro, Brasil; e JW Collection, Atlanta, Estados Unidos.

Notícias

Press

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    Cynthia Garcia, New City Brasil 25.9.2018
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    "Vão"

    Bruno Yutaka Saito, Valor Econômico 11.8.2017
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    Silas Martí, Ilustrada 16.7.2017
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    Alessandro Giannini, O Globo 15.7.2017
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    Marina Rossi, El País 14.7.2017
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    Ana Abril, Select 12.7.2017
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    Andrew Frost, The Guardian 29.1.2016
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    Camila Molina, Estadão 13.10.2015
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    Camila Molina, O Estado de S. Paulo 28.4.2015

Vídeo

Texto Crítico

  • berna reale: gula

    agnaldo farias
    “E fomos educados para o medo. Cheiramos flores de medo.” O Medo – Carlos Drummond de Andrade Publicado em 1945, O Medo, poema de Drummond, traz como epígrafe uma frase de Antonio Cândido – “Porque há para todos nós um problema sério (...). Este problema é o do medo” –, excerto de um depoimento do grande intelectual feito sob o impacto da 2a . Guerra, do nazi-fascismo, da repressão do Estado Novo. Pois, de lá para cá, a situação piorou muito. Vivemos um clima de guerra civil, do que é prova a operação das Forças Armadas no Rio de Janeiro, nosso antigo cartão postal, hoje paisagem de apreensão e tristeza. Berna Reale aprofunda sua investigação sobre a violência, consciente de que ela, entre todas as mães do medo, é a maior e a mais direta. Suas performances, vídeos, fotografias e instalações tornaram-na conhecida nacional e internacionalmente. Tudo isso ao longo desta década, quando a artista, indiferente à celebração do país como BRICS, percebia que as coisas continuavam como...