Biografia

O trabalho de Brígida Baltar transita entre as linguagens do vídeo, da performance, da instalação, do desenho e da escultura. A artista começou a desenvolver sua obra na década de 1990, por meio de pequenos gestos poéticos realizados na sua casaateliê, localizada em Botafogo, bairro da zona sul do Rio de Janeiro. Durante quase dez anos, Baltar colecionou os materiais da vida doméstica, como a água que escorria de goteiras no telhado ou a poeira marromavermelhada dos tijolos de barro das paredes. As ações caseiras, em seguida, expandiram-se para o ambiente exterior, originando obras como a série Coletas, em que ela busca capturar o orvalho e a maresia, dedicando-se à tarefa impossível de captar o intangível. Por outro lado, da poeira de tijolos resultaram, ainda, desenhos de montanhas e florestas cariocas feitos em papel ou diretamente sobre as paredes, entrelaçando seu trabalho passado com o atual, tornando-os mais do que meras descrições das elevações do terreno e das florestas. 

 

Muitas vezes, a artista encontrou na fabulação um método de trabalho, aproximando e incorporando o humano e o animal, redefinindo nossa relação com o universo natural em trabalhos como Maria Farinha, Casa de Abelha e Voar. A relação entre corpo e abrigo, uma das tônicas de seu trabalho, é explicitada na série de esculturas em cerâmica desolvidas pela artista, em que as formas de conchas do mar fundem-se com aquelas do corpo humano. No final de sua vida, a artista se debruçou, sobre o bordado, produzindo trabalhos que se relacionam com seu corpo e, em especial, sua pele, reafirmando sua habilidade de abordar conceitos filosóficos e sensações a partir de sua própria experiência pessoal.

 

Brígida Baltar nasceu em 1959, no Rio de Janeiro, onde trabalhou e viveu até o fim de sua vida, em 2022. Entre suas exposições individuais recentes estão: Brígida Baltar: Filmes, no Espaço Cultural BNDES (2019), no Rio de Janeiro, Brasil; A carne do mar, na Galeria Nara Roesler (2018), em São Paulo, Brasil; SAM Art Project (2012), em Paris, França; O amor do pássaro rebelde, nas Cavalariças (2012), Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV Parque Lage), no Rio de Janeiro, Brasil. Entre as mostras coletivas de que participou, encontramos:

The Fold in the Horizon, na Nara Roesler (2022), em Nova York, Estados Unidos; 12ª Bienal do Mercosul, Brasil (2020). I Remember Earth, na Magasin des Horizons (2019), Centre d'arts et de cultures, em Grenoble, França; Studiolo XXI – Desenhos e afinidades, na Fundação Eugénio de Almeida Centro de Arte e Cultura (2019), em Évora, Portugal; Abstracción textil \ Textile Abstraction, na Galería Casas Riegner (2018), em Bogotá, Colômbia; Neither-nor: Abstract Landscapes, Portraits and Still Lives, no Terra-Art Project (2017), em Londres, Reino Unido; Constructing Views: Experimental Film and Video from Brazil, no New Museum (2010), em Nova York, Estados Unidos. Suas obras integram acervos de instituições como: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio), Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), São Paulo, Brasil; Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro, Brasil; Museum of Fine Arts Houston (MFAH), Houston, Estados Unidos; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil, entre outros.

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    cynthia garcia, Newcity Brasil 10.12.2019
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    Paulo Mendel, BlankTape
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    Thiago Barros, O Povo
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    Leandro Fazolla, Das Artes 19.9.2014