cristina canale
Afrodite , 2019
acrílica e óleo sobre linho

Cristina Canale surgiu no circuito de arte ao participar da emblemática coletiva Como vai você, Geração 80?, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV Parque Lage), no Rio de Janeiro, em 1984. Como no caso de muitos de seus colegas da chamada “Geração 80”, sua produção inicial está em consonância com o processo de retomada da pintura no contexto internacional, influenciado pela tendência do neoexpressionismo alemão. Carregadas de elementos visuais e volume de tinta, suas primeiras pinturas apresentam um caráter matérico, distinguindo-se pelo uso intuitivo de cores contrastantes e vivas que é notável em suas obras até hoje. No começo da década de 1990, Canale mudou-se para Düsseldorf, na Alemanha, onde estudou sob orientação do artista conceitual holandês Jan Dibbets. Suas composições passaram a investigar a espacialidade, a partir da sugestão de planos e profundidades e da maior fluidez no uso das cores, características que marcaram sua produção nesse período.

 

Geralmente baseadas em cenas prosaicas do cotidiano, muitas vezes extraídas da fotografia publicitária, suas obras resultam de um elaborado trabalho de composição e se destacam por transitar entre a figuração que se esvai na abstração, por um lado, e a abstração que evoca uma figuração, por outro. Para o curador e crítico de arte Tiago Mesquita, a produção de Canale contrapõe-se à busca por estruturas de constituição da imagem conforme praticado por artistas como Gerhardt Richter e Robert Ryman, uma vez que aborda “a imagem e os gêneros consagrados da pintura de forma subjetiva, acreditando em uma experiência singular”.

 

 

Nascida no Rio de Janeiro, Brasil, em 1961, Cristina Canale vive e trabalha em Berlim, Alemanha. Seu trabalho vem sendo apresentado em diversas exposições, dentre as quais se destacam as seguintes individuais: Cabeças/Falantes, na Galeria Nara Roesler (2018), em São Paulo, Brasil; Cristina Canale: Zwischen den Welten, no Kunstforum Markert Gruppe (2015), em Hamburgo, Alemanha; Entremundos, no Paço Imperial (2014), no Rio de Janeiro, Brasil; Espelho e memória – Spiegel und Erinnerung, na Galerie Atelier III (2014), em Barmstedt, Alemanha; Protagonista e domingo, no Instituto Figueiredo Ferraz (IFF) (2013), em Ribeirão Preto, Brasil. Participou da 6ª Bienal de Curitiba, Curitiba, Brasil (2011), e da 21a Bienal de São Paulo, São Paulo, Brasil (1991), na qual recebeu o Prêmio Governador do Estado. Exposições coletivas recentes incluem: Ateliê de gravura: da tradição à experimentação, na Fundação Iberê Camargo (FIC) (2019), em Porto Alegre, Brasil; Mulheres na Coleção MAR, no Museu de Arte do Rio (MAR) (2018), no Rio de Janeiro, Brasil; Modos de ver o Brasil: Itaú Cultural 30 anos, na Oca (2017), em São Paulo, Brasil; O espírito de cada época, no Instituto Figueiredo Ferraz (IFF) (2015), em São Paulo, Brasil; Figura humana, na Caixa Cultural (2014), no Rio de Janeiro, Brasil. Possui obras em importantes coleções institucionais como: Instituto Itaú Cultural, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro, Brasil; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil; Sparkasse Oder-Spree, Frankfurt an der Oder/BB, Alemanha.

Exposições

Notícias

Press

  • brazil in berlin - a kreuzberger from rio Download

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    Francesca Elsey, Exberliner 23.3.2018
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    Esther Harrison, ArtBerlin 17.7.2017
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    Joana Dale, Revista O Globo 2.10.2016
  • galeria nara roesler expõe relações entre figuração e abstração na obra de cristina canale Download

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    Cirley Ribeiro, Cultura FM 25.7.2014
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    Audrey Furlaneto, O Globo 15.4.2012
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    Maria Hirszman, O Estado de São Paulo 15.7.2011
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    Camila Molina, O Estado de São Paulo 23.7.2008
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    fragmentos narrativos

    Revista Fundação Iberê Camargo 12.9.2007
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    em busca da nova paisagem

    Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo 24.2.2005

Texto Crítico

  • cabeças/falantes

    clarissa diniz
    Arestas do corpo estão há tempos acompanhando Cristina Canale. Se Talkative (2018), uma de suas recentes pinturas, traz para o front uma espécie de fala-navalha capaz de rasgar o rosto – esse monólito que, num retrato, tende a marginalizar tudo aquilo que não o constitui –, tal relação figura-fundo é eco de outras angulosidades de sua trajetória, já expressas, por exemplo, em suas pinturas de 1985. Assim como, em Talkative, o retrato é uma espécie de disparador para a disputa entre as hierarquias da composição, naquele momento um beijo era o mote para um incontornável rasgo no espaço que a pintura operava. Constituída por partes recortadas e coladas, a pintura de 33 anos atrás não tinha seus corpos fendidos pelo fundo, mas rasgava o espaço justamente por seu corpo pictórico, acotovelando-o num abraço. Cristina Canale, Sem título, 1985 Como gérmen, ali já estava o interesse da artista pelo que circunscreve como “tensão na convivência entre contraditórios”, eixo central de sua investigação pictórica desde que, no final dos anos...