berna reale
sobremesa # 4, 2018
impressão em papel de algodão sobre metacriláto
100 x 150 cm
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Berna Reale é uma das artistas mulheres mais importantes no atual cenário contemporâneo do Brasil, sendo reconhecida internacionalmente como uma das principais praticantes da performance no país. Atuando entre as artes visuais e a perícia criminal, sua produção, composta por performances, fotografias, vídeos e instalações, é marcada pela abordagem crítica sobre os aspectos materiais e simbólicos da violência e os processos de silenciamento presentes nas mais diversas instâncias da sociedade.

 

Reale destacou-se no cenário artístico a partir de sua participação do XXV Salão Arte Pará (2006), ocasião na qual apresentou a intervenção Cerne, composta por fotografias de vísceras humanas registradas no necrotério público e estrategicamente instaladas no Mercado de Carne do complexo do Ver-o-Peso, tradicional ponto turístico e espaço comercial de Belém. A experiência conduziu a artista a prestar concurso público para perícia criminal, passando a trabalhar no Centro de Perícias Renato Chaves em 2010. A partir de então, sua produção concentrou-se em especial na prática da performance como forma de denúncia das situações de injustiça social, procurando funcionar como um ruído questionador. As performances de Reale, que se desdobram em séries fotográficas e vídeos a partir de registros da ação, também se destacam por geralmente apresentar a artista como protagonista, no que seu próprio corpo configura-se como mais um elemento estético na construção da imagem.

 

Berna Reale nasceu em Belém do Pará/PA, Brasil, 1965, onde vive e trabalha. Formou-se em Artes Visuais pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Belém. Principais individuais e coletivas recentes incluem: Brazil. Knife in the Flesh, coletiva no Padiglione d'Arte Contemporanea Milano (PAC-Milano), Milão, Itália (2018), na qual apresentou Camuflagem (2018), sua primeira performance realizada fora de sua cidade natal; Lecture/Performance & Screenings: Berna Reale, individual no Miami Dade College Museum of Art + Design (MDC MOAD), Miami/FL, EUA (2017); Video Art in Latin America, coletiva no LAXART, West Hollywood/LA, EUA, parte do II Pacific Standard Time: LA/LA (2017); e Vão, individual no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), São Paulo/SP, Brasil (2017). Foi uma das representantes do Brasil na 56ª La Biennale di Venezia, Veneza, Itália (2015), participando também do 34º Panorama da Arte Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo/SP, Brasil (2015), da Bienal de Fotografia de Liège, Liège, Bélgica (2006) e da 13ª Bienal de Arte de Cerveira, Vila Nova de Cerveira, Portugal (2005). Recebeu as seguintes premiações: 5ª Prêmio Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas, Brasil (2015); Prêmio PIPA Online 2012, Rio de Janeiro/RJ, Brasil (2012); e Grande Prêmio do Salão Arte Pará, Belém/PA, Brasil (2009). Suas obras fazem parte de coleções institucionais, como: Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), São Paulo/SP, Brasil; Museu de Arte de Belém, Belém/PA, Brasil; e Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro/RJ, Brasil.

Press

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    Cynthia Garcia, New City Brasil 25.9.2018
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    Bruno Yutaka Saito, Valor Econômico 11.8.2017
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    Camila Molina, O Estado de S. Paulo 28.4.2015

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Texto Crítico

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  • berna reale: gula

    agnaldo farias
    “E fomos educados para o medo. Cheiramos flores de medo.” O Medo – Carlos Drummond de Andrade Publicado em 1945, O Medo, poema de Drummond, traz como epígrafe uma frase de Antonio Cândido – “Porque há para todos nós um problema sério (...). Este problema é o do medo” –, excerto de um depoimento do grande intelectual feito sob o impacto da 2a . Guerra, do nazi-fascismo, da repressão do Estado Novo. Pois, de lá para cá, a situação piorou muito. Vivemos um clima de guerra civil, do que é prova a operação das Forças Armadas no Rio de Janeiro, nosso antigo cartão postal, hoje paisagem de apreensão e tristeza. Berna Reale aprofunda sua investigação sobre a violência, consciente de que ela, entre todas as mães do medo, é a maior e a mais direta. Suas performances, vídeos, fotografias e instalações tornaram-na conhecida nacional e internacionalmente. Tudo isso ao longo desta década, quando a artista, indiferente à celebração do país como BRICS, percebia que as coisas continuavam como...