bruno dunley
Contrato, 2018
tinta óleo sobre tela
160 x 120 cm

No universo pictórico de Bruno Dunley, promessas são constantemente feitas e quebradas, distendendo os limites da visualidade. Seu trabalho explora a pintura apenas como técnica de figuração expressiva, mas busca refletir sobre a própria especificidade do meio, principalmente no que diz respeito à sua materialidade e função representativa na tradição artística. Dunley é um dos expoentes da nova e proeminente geração de pintores brasileiros e um dos fundadores do Grupo 2000e8. O coletivo de jovens artistas foi criado em São Paulo devido ao interesse compartilhado pela pintura e pela vontade de desenvolver um pensamento crítico sobre a técnica na contemporaneidade.

 

O processo de Dunley parte de composições rigorosamente construídas que passam por correções e alterações graduais e cuja função é revelar as lacunas e lapsos da percepção visual. Frequentemente, uma única cor predomina na superfície, o que pode sugerir um estilo minimalista, capaz de gerar uma postura meditativa diante do trabalho. Contudo, há a busca crescente por configurações mais agressivas, expressivas e contrastadas por cores vibrantes. Em sua prática, a temática é sempre dúplice: o artista pinta influenciado pelo encontro com imagens cotidianas, assim como pelo estudo aprofundado do campo pictórico. Ambas convergem, porém, no uso pronunciado dos códigos dessa linguagem. Gestos, planos e cores fazem a representação emergir mais como um alfabeto, um território comum, em que o processo de feitura sempre está presente. De fato, essa é a busca de Dunley: a de uma sensibilidade comum, disseminada.

 

Bruno Dunley nasceu em Petrópolis, Brasil, em 1984. Atualmente, vive e trabalha em São Paulo, Brasil. Exposições individuais recentes incluem: The Mirror, na Galeria Nara Roesler (2018), em Nova York, Estados Unidos; Dilúvio, na SIM Galeria (2018), em Curitiba, Brasil; Ruído, na Galeria Nara Roesler (2015), no Rio de Janeiro, Brasil; e, no Centro Universitário Maria Antonia (2013), em São Paulo, Brasil. Participou da 33a Bienal de São Paulo, Brasil (2018). Outras mostras coletivas recentes incluem: Triangular: Arte deste século, na Casa Niemeyer (2019), em Brasília, Brasil; Tinta sobre tinta: acervo do MAM no Instituto CPFL, na Galeria de Arte do Instituto CPFL (2019), em Campinas, Brasil; AI-5 50 ANOS – Ainda não terminou de acabar, no Instituto Tomie Ohtake (ITO) (2018), em São Paulo, Brasil; A luz que vela o corpo é a mesma que revela a tela, na Caixa Cultural (2017), no Rio de Janeiro, Brazil; Visões da arte no acervo do MAC USP 1900-2000, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP) (2016), em São Paulo, Brasil. Seus trabalhos fazem parte de importantes coleções institucionais, tais como: Instituto Itaú Cultural, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo, Brasil, e Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil.

Exposições

Notícias

Press

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    antonio gonçalves filho, o estado de s. paulo 23.6.2018
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    folha de s.paulo - guia da folha 22.6.2018
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    artnet Gallery Network, ArtNet 22.1.2018
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    "ruído", individual de bruno dunley

    prêmio PIPA 24.11.2015

Texto Crítico

  • sobre os espelhos de bruno dunley ou em busca da lanterna dos afogados

    tadeu chiarelli
    Inicio este texto com o seguinte dado: Bruno Dunley, 34 anos, tem onze anos de carreira como pintor profissional (sua primeira individual foi em 2007). Assim, pode-se dizer que o artista surge no mesmo período em que já estão implantados a internet e seus dispositivos na vida da maioria das pessoas, ampliando e mudando por completo nossa percepção da arte e da realidade[1] . Essa nova situação eleva de forma exponencial a presença das imagens de segunda geração em nosso cotidiano, condição que parte considerável da sociedade global já vivia desde, pelo menos, o final da II Grande Guerra. Durante os anos 1980, tal cenário ganharia o seu primeiro período de apogeu, sobretudo no campo da produção artística. Naquela década – há mais ou menos 30 anos, portanto –, alguns artistas e críticos chamavam a atenção para um fenômeno que caracterizava parte considerável da arte de então: a “volta ao museu”. Eles sublinhavam que a produção artística daquela década (mais conhecida como os anos da “volta à pintura”),...