antonio dias
o laço: eu e você, 1965
acrílica e vinil sobre madeira
139 x 123 x 60 cm

Antonio Dias (1944– 2018) é um dos nomes mais importantes da arte brasileira no século XX, tendo conquistado reconhecimento internacional logo no começo da carreira, em meados dos anos 1960. Iniciou sua produção artística produzindo obras marcadas pelo conteúdo de crítica política na forma de desenhos, pinturas e assemblages permeados por elementos do Neofigura- tivismo e da Pop Art brasileiros, o que lhe rendeu o rótulo de representante da Nova Figuração brasileira e o conduziu à IV Bienal de Paris (1965), na qual recebeu o prêmo de pintura. Sua prática, no entanto, estabelece um diálogo com o legado dos movimentos concreto e neocon- creto e o impluso revolucionário da Tropicália.

 

 

A premiação da Bienal de Paris possibilitou ao artista seguir para a Europa, onde, depois de um período em Paris, acabou se estabelecendo em Milão. Ali, adotou uma abordagem conceitual, criando pinturas, filmes, vídeos, registros e livros de artista, utilizando cada uma dessas mídias para questionar o sentido da arte. Ao abordar o erotismo, o sexo e a opressão política de forma lúdica e subversiva, construiu uma obra ímpar e conceitual, repleto de elegância formal, en- tremeada por questões políticas e críticas contundentes ao sistema da arte. Na década de 1980, voltou novamente sua atenção à pintura, realizando experimentos com pigmentos metálicos e minerais como ouro, cobre, óxido de ferro e grafite, misturados a aglutinantes diversos. A maio- ria de suas obras desse período possuem um brilho metálico e contêm uma grande variedade de símbolos – ossos, cruzes, retângulos, falos – que remetem às suas primeiras produções.

 

 

Antonio Dias apresentou suas obras em mais de uma centena de exposições individuais e coletivas nas mais importantes instituições do mundo. Suas principais individuais mais recentes incluem: Anywhere Is My Land, Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo (2010), e Daros Latinamerica, Zurique, Suíça (2009-2010); e Antonio Dias – O país inventado, que itinerou por diversas instituições brasileiras entre 2000 e 2003, como o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ) e o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP). Entre as coletivas, pode- se destacar: Memories of Underdevelopment: Art and the Decolonial Turn in Latin America, 1960-1985, apresentada no Museum of Contemporary Art San Diego (MCASD), San Diego, EUA, como parte do II Pacific Standard Time: LA/LA (2017); International Pop, Philadelphia Museum of Art, Philadelphia, e Walker Art Center, Minneapolis, EUA (2015-2016); The World Goes Pop, Tate Modern, London, RU (2015-2016); Transmissions: Art in Eastern Europe and Latin America, 1960- 1980, The Museum of Modern Art (MoMA), Nova York, EUA (2015), e Made in Brasil, Casa Daros, Rio de Janeiro (2015). Participou de diversas edições de bienais, como a Bienal de São Paulo (1981, 1994, 1998 e 2010), a Bienal do Mercosul (1997, 2005) e a Bienal de Paris (1965 e 1973). Suas obras estão presentes em importantes coleções institucionais ao redor do mundo, como: Coleção Sattamini – MAC-Niterói, Rio de Janeiro, Brasil; Daros Latinamerica Collection, Zurique, Suíça; Instituto Itaú Cultural, São Paulo, Brasil; Museum Ludwig, Colônia, Alemanha; Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (MALBA), Buenos Aires, Argentina; Museu de Arte Mod- erna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo, Brasil; The Museum of Modern Art (MoMA), Nova York, EUA; e Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo,  

Exposições

Notícias

Press

  • paulo sergio duarte in conversation Download

    paulo sergio duarte in conversation

    Fawz Kabra, Ocula 6.10.2018
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    remembering the fragile unity of brazilian artist antonio dias (1944–2018)

    Tiago Mesquita, Frieze 17.8.2018
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    antonio dias, brazilian artist who poked the ruling junta, is dead at 74

    Jason Farago, The New York Times 9.8.2018
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    morre antonio dias, um mestre da arte visceral, erótica e política

    Sérgio Bruno Martins, Folha de São Paulo 2.8.2018

Texto Crítico

  • tazibao e outras obras

    paulo sérgio duarte
    Toda grande obra de arte se apresenta como um problema, não como uma solução. A obra de Antonio Dias não foge à regra, temos que enfrentá-la. Antes de tudo como conhecimento, aquele que não é religioso, nem científico, mas conhecimento artístico. E é disso que se foge hoje, com frequência, na arte contemporânea. O artista, ao contrário, o enfrenta, se confronta com ele e nos apresenta diante dos olhos, sem nenhuma condescendência. Essa exposição, que se abre em agosto de 2018, na Galeria Nara Roesler de São Paulo, apresenta um pequeno resumo da obra de Antonio Dias desde 1968 até obras recentes. Estão ausentes as obras contundentes de 1964 a 1967, que abriram a carreira do artista, que puderam ser vistas na recente exposição Entre construção e apropriação – Antonio Dias, Geraldo de Barros e Rubens Gerchman nos anos 60, com curadoria de João Bandeira, no SESC Pinheiros, em São Paulo. Aqui, agora, toda a potência poética e os desdobramentos desse trabalho podem ser observados de Black Mirror,...