brígida baltar
abrigo, 1996
foto-ação
60 x 40 cm (cada)

O trabalho de Brígida Baltar cruza fronteiras entre vídeo, performance, instalação, desenho e escultura. Nas palavras da curadora Lisette Lagnado, ele envolve um “processo de fabulação, que alude ao retorno de uma narratividade pré-industrial, infantil e primitiva”. A artista começou a desenvolver sua obra na década de 1990, por meio de pequenos gestos poéticos realizados na sua casa‑ateliê, localizada em Botafogo, bairro da zona sul do Rio de Janeiro.

 

Durante quase dez anos, Baltar colecionou materiais da vida doméstica, como a água que escorria de goteiras no telhado ou a poeira marrom‑avermelhada dos tijolos de barro das paredes. As ações caseiras foram, em seguida, expandidas para o espaço da rua, originando obras como a série Coletas, em que ela busca capturar o orvalho e a água do mar evaporada, dedicando-se à tarefa impossível de captar o intangível.

 

A produção recente da artista apresenta uma depuração de questões investigadas anteriormente. Da poeira de tijolos resultam desenhos de montanhas e florestas cariocas que entrelaçam seu trabalho passado com o atual, tornando-os mais do que meras descrições das elevações do terreno e das florestas. Baltar também tem se debruçado sobre sua própria biografia, ao produzir bordados que se relacionam com seu corpo e, em especial, sua pele.

 

Brígida Baltar nasceu em 1959, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha. Entre suas exposições individuais recentes estão: Dois vídeos, na Galeria Gustavo Schnoor (2019), Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), no Rio de Janeiro, Brasil; A carne do mar, na Galeria Nara Roesler (2018), em São Paulo, Brasil; SAM Art Project (2012), em Paris, França; O amor do pássaro rebelde, nas Cavalariças (2012), Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV Parque Lage), no Rio de Janeiro, Brasil. Entre as mostras coletivas de que participou, encontramos: I Remember Earth, na Magasin des Horizons (2019), Centre d'arts et de cultures, em Grenoble, França; Studiolo XXI – Desenhos e afinidades, na Fundação Eugénio de Almeida Centro de Arte e Cultura (2019), em Évora, Portugal; Abstracción textil \ Textile Abstraction, na Galería Casas Riegner (2018), em Bogotá, Colômbia; Neither-nor: Abstract Landscapes, Portraits and Still Lives, no Terra-Art Project (2017), em Londres, Reino Unido; International Series: Contemporary Artists from Brazil, no Turchin Center for the Visual Arts (2016), em Boone, Estados Unidos. Suas obras integram acervos de instituições como: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio), Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), São Paulo, Brasil; Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro, Brasil; Museum of Fine Arts Houston (MFAH), Houston, Estados Unidos; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil, entre outros.

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